Retomada de Kirkuk (2017)
Pontos principais
- A operação ocorreu em outubro de 2017 como resposta ao referendo de independência do Curdistão.
- O governo iraquiano recuperou a cidade de Kirkuk e seus campos de petróleo em menos de 15 horas.
- A ofensiva foi marcada por uma falta de coordenação entre as facções curdas (KDP e PUK), facilitando a retomada por Bagdá.
- A operação resultou no deslocamento de milhares de civis curdos para a Região do Curdistão.
A Retomada de Kirkuk, formalmente denominada Operação Enforcing Security, foi uma mobilização militar conduzida pelas Forças de Segurança Iraquianas em outubro de 2017. O objetivo central da operação foi recuperar o controle da província de Kirkuk, que estava sob a administração das forças curdas Peshmerga, após estas ignorarem advertências do governo central em Bagdá para se retirarem da região.
Contexto e Causas
O conflito foi desencadeado pelas tensões resultantes do referendo de independência do Curdistão Iraquiano, realizado em setembro de 2017. No pleito, a vasta maioria dos votantes (93%) manifestou-se a favor da criação de um Estado independente para a Região do Curdistão e áreas curdistanias fora da administração regional. Enquanto o governo regional curdo considerou o resultado vinculativo, o governo central do Iraque declarou o referendo ilegal.
A cidade de Kirkuk, rica em reservas de petróleo e com uma composição étnica diversificada, tornou-se o ponto focal da disputa. Historicamente, a cidade era controlada por Bagdá antes da invasão do Estado Islâmico (ISIL). Durante a guerra contra o ISIL, as forças Peshmerga preencheram o vácuo de segurança e assumiram o controle da cidade e de seus campos petrolíferos. O governo iraquiano estabeleceu o prazo de 15 de outubro de 2017 para a retirada das forças curdas, o que não ocorreu, motivando a ofensiva militar.
Desenvolvimento da Operação
A ofensiva começou em 15 de outubro de 2017. Em menos de 15 horas, as forças iraquianas, compostas pelo Exército Iraquiano, o Serviço de Contra-Terrorismo e as Forças de Mobilização Popular (PMF), recuperaram a cidade de Kirkuk, a Base Aérea K-1 e os campos de petróleo adjacentes. A maioria das unidades Peshmerga abandonou a cidade sem oferecer resistência significativa, o que levou a um colapso rápido das defesas curdas.
Avanços e Capturas Estratégicas
- 16 de outubro: As forças iraquianas capturaram o campo de petróleo Baba GurGur e assumiram o controle total da sede do governo provincial. Simultaneamente, avançaram sobre a cidade de Tuz Khurmatu (na província de Saladin) e Kifri (na província de Diyala).
- 17 de outubro: Foram retomados os campos de petróleo de Bai Hassan e Avana. O governo iraquiano afirmou ter recuperado todas as instalações petrolíferas que possuía antes da ascensão do ISIL em 2014.
- 20 de outubro: Após um combate de três horas, as forças iraquianas asseguraram Altun Kupri, a última cidade controlada por curdos na província de Kirkuk, consolidando o controle total do governo central sobre a governadoria.
Relatos indicam que a resistência curda foi fragmentada. Enquanto unidades ligadas ao Partido Democrático Curdo (KDP) tentaram resistir em áreas como Dibis, unidades ligadas à União Patriótica Curda (PUK) chegaram a acordos de retirada com Bagdá, gerando acusações internas de traição dentro do movimento curdo.
Consequências e Impacto Humanitário
A operação resultou em deslocamentos populacionais significativos. Imagens de satélite e reportagens da época registraram fluxos de refugiados étnicos curdos abandonando Kirkuk em direção ao território do Governo Regional do Curdistão (KRG). Estimativas variaram amplamente: autoridades de Erbil mencionaram que cerca de 18.000 famílias buscaram refúgio, enquanto outras fontes sugeriram que o número de deslocados poderia chegar a 100.000 pessoas.
Para mitigar a crise, o então presidente iraquiano, Haider el-Abadi, garantiu publicamente que a vida e a propriedade dos cidadãos seriam preservadas, incentivando o retorno de muitos dos deslocados.

Perguntas frequentes
O que causou a Retomada de Kirkuk em 2017?
A operação foi desencadeada pelo referendo de independência do Curdistão, que o governo do Iraque considerou ilegal, e pela recusa das forças Peshmerga em retirar-se de áreas disputadas, especialmente da cidade petrolífera de Kirkuk.
Qual foi a duração da operação principal?
A cidade de Kirkuk foi recuperada em menos de 15 horas no dia 15 de outubro, e o controle total da província foi consolidado até 20 de outubro de 2017.
Quem participou das forças iraquianas na ofensiva?
A operação contou com a participação do Exército Iraquiano (incluindo a 9ª Divisão Blindada), o Serviço de Contra-Terrorismo, a Polícia Federal e as Forças de Mobilização Popular (PMF).
Houve resistência das forças curdas?
A resistência foi mínima na cidade de Kirkuk, onde a maioria dos Peshmerga se retirou. Houve confrontos pontuais em áreas como Dibis e Altun Kupri, mas a coordenação interna curda colapsou rapidamente.