Forças de Mobilização Popular do Iraque
Pontos principais
- Formada em 2014 para combater o Estado Islâmico no Iraque.
- Legalmente parte das Forças Armadas do Iraque, mas com forte influência e lealdade ao Irã.
- Composta por aproximadamente 67 facções, predominantemente xiitas.
- Acusada de crimes de guerra e violência sectária contra populações sunitas.
As Forças de Mobilização Popular (do árabe: Quwwāt al-Ḥashd ash-Shaʿbī, conhecidas internacionalmente pela sigla PMF ou PMU) constituem um guarda-chuva paramilitar composto por diversas facções armadas que operam no território iraquiano. Embora legalmente integradas às Forças Armadas do Iraque e subordinadas formalmente ao primeiro-ministro, na prática, a liderança de muitas de suas facções atua de forma independente do controle estatal, respondendo frequentemente ao líder supremo do Irã.

Origem e Formação
A PMF foi formalmente estabelecida em 2014, em resposta ao avanço do Estado Islâmico (ISIS) no Iraque. Sua gênese remonta aos chamados "Grupos Especiais", facções xiitas financiadas e apoiadas pela Força Quds do Irã, que anteriormente haviam combatido as forças lideradas pelos Estados Unidos e a insurgência sunita durante a guerra do Iraque.
Inicialmente, a coalizão era composta por sete grupos principais, incluindo as Brigadas Badr, Asa'ib Ahl al-Haq e Kata'ib Hezbollah. Com o tempo, a organização expandiu-se para abranger cerca de 67 facções, a maioria delas de orientação xiita e com fortes vínculos com Teerã.
Estrutura Legal e Operacional
Em dezembro de 2016, o Conselho de Representantes do Iraque aprovou uma lei que definiu o status legal da PMF sob a Comissão de Mobilização Popular (PMC). Esta legislação visava integrar as milícias ao aparato de segurança do Estado, transformando-as em forças oficiais. No entanto, a dualidade de comando permanece: enquanto o governo iraquiano provê financiamento e legitimidade legal, a influência estratégica do Irã continua a ser predominante em diversas alas da organização.
Principais Facções Pro-Irã
- Organização Badr: Uma das alas mais influentes e politicamente integradas.
- Asa'ib Ahl al-Haq: Grupo com forte alinhamento ideológico ao Irã.
- Kata'ib Hezbollah: Frequentemente designada como grupo terrorista por potências ocidentais.
- Saraya Khorasani: Outra facção com apoio direto do regime iraniano.
Atuação Militar e Controvérsias
As PMF desempenharam um papel crucial em quase todas as grandes batalhas contra o Estado Islâmico, sendo fundamentais para a retomada de territórios ocupados. Contudo, essa atuação foi acompanhada por graves denúncias de violações de direitos humanos.
Diversas organizações internacionais e Estados, como os Estados Unidos, Japão e Emirados Árabes Unidos, designaram facções da PMF como grupos terroristas. As acusações incluem a perpetração de violência sectária, limpeza étnica de populações sunitas, execuções extrajudiciais e desaparecimentos forçados em províncias como Anbar, Saladin e Diyala.
Conflitos Internos e Externos
Desde 2020, grupos ligados à PMF têm lançado ataques contra forças americanas e seus aliados no Iraque, operando sob a denominação de "Resistência Islâmica no Iraque". Além disso, a organização enfrenta tensões internas, evidenciadas por confrontos violentos em 2022 entre facções pro-Irã e grupos alinhados ao clérigo Muqtada al-Sadr.
Perguntas frequentes
O que são as Forças de Mobilização Popular (PMF)?
São uma coalizão de milícias paramilitares, majoritariamente xiitas e apoiadas pelo Irã, que operam no Iraque e são legalmente integradas às forças armadas do país.
Qual a relação da PMF com o governo do Iraque?
Formalmente, a PMF reporta-se ao primeiro-ministro iraquiano, mas na prática, muitas de suas facções respondem ao líder supremo do Irã.
Por que a PMF é controversa?
Embora tenham combatido o Estado Islâmico, várias de suas facções são acusadas de cometer crimes de guerra, limpeza étnica e ataques contra forças dos Estados Unidos.