Filosofia

O Mito do Framework: A Defesa da Ciência e Racionalidade de Karl Popper

Pontos principais

  • Publicada em 1994, a obra é uma coletânea de ensaios de Karl Popper editada por Mark Amadeus Notturno.
  • O livro defende o racionalismo crítico contra o relativismo e o cientificismo.
  • O 'Mito do Framework' é a ideia refutada por Popper de que a comunicação racional exige a partilha de um esquema conceitual comum.

O Mito do Framework: Em Defesa da Ciência e Racionalidade (título original: The Myth of the Framework: In Defence of Science and Rationality) é uma coletânea de ensaios e palestras do filósofo Karl Popper, publicada em 1994 pela editora Routledge. A obra foi editada por Mark Amadeus Notturno e serve como um manifesto do racionalismo crítico, defendendo o valor da investigação científica e a racionalidade contra duas tendências opostas: as exagerações cientificistas ligadas ao positivismo e o relativismo, que Popper considerava prejudicial à crítica racional.

Capa do livro The Myth of the Framework
Capa da obra publicada pela Routledge.

Contexto e Publicação

A obra é descrita como uma reunião de escritos fundamentais de Popper sobre ciência e racionalidade. O material foi compilado por Notturno em cooperação com a Universidade Europeia Central. A maioria dos textos contidos no volume foi escrita entre 1958 e 1973, embora alguns tenham sido publicados anteriormente em outras coleções ou séries, como a série Boston Studies in the Philosophy and History of Science.

Estrutura e Conteúdo

O livro é composto por uma introdução, nove capítulos e um posfácio do editor. Os temas centrais abrangem os objetivos da ciência, a função da universidade, a responsabilidade moral dos cientistas e a relação entre razão e revolução.

Capítulos da Obra

  • A Racionalidade das Revoluções Científicas
  • O Mito do Framework
  • Razão ou Revolução? (algumas edições incluem um adendo sobre a Escola de Frankfurt)
  • Ciência: Problemas, Objetivos, Responsabilidades
  • Filosofia e Física
  • A Responsabilidade Moral do Cientista
  • Uma Abordagem Pluralista para a Filosofia da História
  • Modelos, Instrumentos e Verdade
  • Epistemologia e Industrialização

O Conceito do "Mito do Framework"

No ensaio principal, Popper aborda o que ele denomina "mito do framework" (ou mito do quadro conceitual). Este conceito refere-se à crença relativista de que a discussão racional e a compreensão mútua seriam impossíveis a menos que os interlocutores compartilhassem o mesmo esquema conceitual ou concordassem previamente com um "framework" comum.

Popper contesta essa visão, argumentando que a discussão crítica entre indivíduos com pontos de vista divergentes não apenas é possível, mas é intelectualmente produtiva. Para o autor, a capacidade de transcender os próprios marcos conceituais através da crítica é a base da ciência e da racionalidade.

Recepção Crítica e Edições

A obra foi analisada em diversos periódicos especializados em filosofia e história da ciência, com revisões publicadas em revistas como Philosophy, The British Journal for the Philosophy of Science, Philosophy of Science e Isis.

Além da edição original em capa dura, foi lançada uma versão em brochura em 1996 e uma versão em audiolivro. A obra foi traduzida para diversos idiomas, incluindo italiano (1995), espanhol (1997) e japonês (1998).

Perguntas frequentes

O que Karl Popper quer dizer com 'Mito do Framework'?

Popper refere-se à ideia relativista de que a compreensão mútua e a discussão racional só são possíveis se as pessoas compartilharem o mesmo quadro conceitual ou sistema de crenças. Ele argumenta que isso é um conceito equivocado e que a crítica racional pode ocorrer mesmo entre pessoas com visões de mundo diferentes.

Qual é o objetivo principal do livro?

O objetivo é defender a ciência e a racionalidade, promovendo o racionalismo crítico e criticando tanto o positivismo quanto o relativismo.

Quais temas são abordados nos ensaios da coletânea?

A obra discute a responsabilidade moral dos cientistas, a natureza das revoluções científicas, a relação entre a filosofia e a física, e a epistemologia aplicada à industrialização.