História e Cultura

Trabalhadores do Ferro Mohawk: Os Construtores de Arranha-céus

Pontos principais

  • Iniciaram a especialização em ferraria em 1886 na construção de uma ponte sobre o Rio São Lourenço.
  • Foram essenciais na construção de ícones como o Empire State Building, CN Tower e a Ponte Golden Gate.
  • O Tratado de Jay de 1794 garante a eles o direito de cruzar a fronteira EUA-Canadá livremente.
  • Formaram o enclave 'Little Caughnawaga' no Brooklyn entre as décadas de 1920 e 1970.

Os trabalhadores do ferro Mohawk, frequentemente referidos pelo apelido skywalkers (caminhantes do céu), são operários indígenas especializados na montagem de estruturas metálicas que desempenharam um papel fundamental na urbanização de grandes metrópoles na América do Norte. Sua atuação abrange a construção de pontes e edifícios icônicos em cidades como Nova York, Chicago, Filadélfia, San Francisco, Detroit, Toronto, Vancouver e Montreal.

Origens e Desenvolvimento Profissional

A trajetória dos Mohawk no trabalho com ferro começou por volta de 1886, durante a construção de uma ponte sobre o Rio São Lourenço, no Canadá. Inicialmente contratados como mão de obra não qualificada, os trabalhadores Mohawk demonstraram um interesse técnico notável e uma ausência natural de medo de altura. Como resultado, foram treinados nas profissões especializadas da época, tornando-se rapidamente requisitados devido à sua confiabilidade e à alta qualidade de sua execução técnica.

Dentro da cultura Mohawk, a valorização da bravura física e a ética de assumir riscos em prol do bem comum da comunidade contribuíram para a adaptação desses trabalhadores a ambientes de alta periculosidade. Dois termos específicos definem a prática profissional do grupo: walking iron, que se refere ao trabalho de montagem de ferro em altura, e booming out, termo utilizado quando os trabalhadores viajam de suas comunidades para grandes centros urbanos em busca de emprego.

Contribuições no Canadá

No Canadá, a influência dos Mohawk é visível em diversas infraestruturas críticas. Em Quebec, contribuíram para a construção da Ponte Jacques Cartier e da Tour Telus, em Montreal. Em Ontário, trabalhadores da comunidade de Akwesasne participaram da construção da CN Tower, em Toronto. Já na Colúmbia Britânica, a mão de obra Mohawk foi essencial na edificação da Lions Gate Bridge e do Fairmont Hotel, em Vancouver.

Atuação nos Estados Unidos

A presença dos Mohawk nos Estados Unidos consolidou-se no início do século XX. Em Nova York, a influência começou a ser notável a partir de 1916, com a participação na Ponte Hell Gate. Desde então, quase todos os grandes projetos de construção da cidade contaram com a sua colaboração, incluindo estruturas emblemáticas como:

  • O Empire State Building
  • O Chrysler Building
  • A Ponte George Washington
  • A Ponte de Brooklyn
  • O Edifício das Nações Unidas
  • O World Trade Center (tanto as torres originais quanto a reconstrução do complexo)

A relação dos Mohawk com a cidade de Nova York levou à criação de "Little Caughnawaga", um enclave étnico em Brooklyn formado por famílias de Kahnawà:ke e Akwesasne. Entre as décadas de 1920 e 1970, a comunidade chegou a abrigar mais de 700 pessoas, servindo como centro de apoio para os trabalhadores que atuavam nos arranha-céus de Manhattan.

Outras Regiões e Reconhecimento Legal

Em Chicago, os Mohawk contribuíram para a construção da Sears Tower. Na Califórnia, participaram da montagem da Ponte Golden Gate e da Ponte da Baía de San Francisco. Em Detroit, famílias Mohawk estabeleceram-se no bairro de Corktown, onde fundações como a Indians of North America Foundation ofereceram suporte educacional e social.

Um marco jurídico importante ocorreu em 1927, após a prisão do trabalhador Paul K. Diablo na Filadélfia. O tribunal federal, baseando-se no Tratado de Jay de 1794, decidiu que os Mohawk têm o direito legal de cruzar livremente a fronteira entre o Canadá e os Estados Unidos, reconhecendo que a fronteira atravessa o território ancestral indígena do povo Mohawk.

Legado e Homenagens

O impacto dos trabalhadores Mohawk na arquitetura moderna da América do Norte é amplamente reconhecido. Em 2015, a Casa da Moeda dos Estados Unidos (United States Mint) lançou uma moeda de 1 dólar em homenagem às contribuições dos Mohawk de Kahnawà:ke e Akwesasne para a construção de estruturas de "ferro alto". Além disso, o Museu do Memorial do 11 de Setembro, em Nova York, apresentou a exposição "Skywalkers: A Portrait of Mohawk Ironworkers at the World Trade Center", destacando a atuação dos voluntários e profissionais Mohawk tanto nos esforços de resgate no Ground Zero quanto na reconstrução do centro financeiro.

Perguntas frequentes

Quem são os 'skywalkers'?

São trabalhadores do ferro de etnia Mohawk, conhecidos por sua habilidade e coragem em construir estruturas metálicas em grandes alturas nos Estados Unidos e Canadá.

Quais edifícios famosos foram construídos por eles?

Entre as obras mais notáveis estão o Empire State Building, o Chrysler Building, a CN Tower, a Ponte Golden Gate e o World Trade Center.

Por que os Mohawk se destacaram nessa profissão?

A combinação de treinamento técnico, confiabilidade e valores culturais de bravura física e disposição para assumir riscos em prol da comunidade facilitou sua adaptação ao trabalho em altura.

O que era a 'Little Caughnawaga'?

Foi um enclave étnico em Brooklyn, Nova York, onde famílias Mohawk de Kahnawà:ke e Akwesasne residiam enquanto trabalhavam nos arranha-céus de Manhattan.