Fusão Forçada entre UBS e Credit Suisse
Pontos principais
- O UBS adquiriu o Credit Suisse por 3 bilhões de francos suíços em março de 2023.
- O governo suíço e o Banco Nacional Suíço forneceram garantias e liquidez superiores a 100 bilhões de francos suíços para estabilizar a operação.
- 16 bilhões de francos suíços em títulos AT1 do Credit Suisse foram totalmente anulados (escritos a zero).
- A crise foi precipitada por escândalos anteriores (Archegos e Greensill) e agravada pelas falências bancárias nos EUA em 2023.
Em 19 de março de 2023, o grupo bancário suíço UBS Group AG concordou em adquirir o Credit Suisse por 3 bilhões de francos suíços (aproximadamente 3,2 bilhões de dólares). A operação, realizada integralmente por meio de troca de ações, foi intermediada pelo governo da Suíça e pela Autoridade Suíça de Supervisão do Mercado Financeiro (FINMA) para evitar um colapso sistêmico no mercado financeiro global.
Para viabilizar a transação e garantir a estabilidade, o Banco Nacional Suíço forneceu mais de 100 bilhões de francos suíços em liquidez ao UBS. Simultaneamente, o governo suíço ofereceu uma garantia de até 9 bilhões de francos suíços para cobrir perdas de curto prazo. Um ponto controverso da operação foi a anulação total de 16 bilhões de francos suíços em títulos Additional Tier 1 (AT1), que foram reduzidos a zero, impactando investidores de títulos de capital.

Contexto Histórico e Declínio do Credit Suisse
O Credit Suisse consolidou-se como um banco de investimento de primeira linha (bulge bracket) após a aquisição da First Boston no final do século XX. Embora tenha navegado a crise financeira de 2008 com menos auxílio estatal imediato que o UBS — levantando 9 bilhões de dólares privadamente contra os 60 bilhões em ativos tóxicos absorvidos pelo Estado no caso do UBS —, a instituição adotou estratégias de risco excessivo nas décadas seguintes.
Falhas de Gestão e Escândalos
Entre 2008 e 2023, a unidade de banco de investimento do Credit Suisse apresentou desempenho inferior aos seus pares, comprometendo a rentabilidade global da instituição. O banco foi marcado por sucessivos escândalos de má gestão, com destaque para as perdas massivas ligadas ao colapso da Archegos Capital e da Greensill Capital em 2021.
A fragilidade interna foi exacerbada por falhas nos controles financeiros, apontadas pela auditora PwC entre 2020 e 2022. Em outubro de 2022, rumores disseminados em redes sociais sobre a insolvência do banco provocaram a retirada de 111 bilhões de francos suíços de sua divisão de gestão de fortunas nos últimos três meses daquele ano.
O Gatilho da Crise de Março de 2023
A situação do Credit Suisse tornou-se insustentável após a onda de falências bancárias nos Estados Unidos em março de 2023, que incluiu o colapso do Silicon Valley Bank e do Signature Bank. Esse cenário gerou pânico generalizado entre investidores globais, que passaram a questionar a solidez de bancos com perfis de risco semelhantes.

O golpe final ocorreu quando o Saudi National Bank (SNB), maior acionista do Credit Suisse com quase 10% de participação, descartou a possibilidade de novos investimentos na instituição devido a restrições regulatórias. A queda abrupta no preço das ações e a fuga de depósitos forçaram a intervenção rápida do governo suíço para evitar que o pânico se espalhasse pelos mercados asiáticos na abertura de segunda-feira, 19 de março.
Conclusão da Aquisição
A aquisição foi formalmente concluída em 12 de junho de 2023. A fusão transformou o UBS no único banco sistêmico da Suíça, eliminando a antiga rivalidade entre as duas maiores instituições financeiras do país e criando uma entidade com um volume de ativos massivo, o que gera novas discussões sobre o risco sistêmico e a necessidade de regulamentações mais rigorosas para instituições "grandes demais para quebrar".
Perguntas frequentes
Por que o governo suíço interveio na aquisição do Credit Suisse?
A intervenção foi necessária para evitar um colapso sistêmico que poderia causar instabilidade nos mercados financeiros globais, dado que o Credit Suisse era considerado um banco globalmente sistemicamente importante.
O que aconteceu com os títulos AT1 do Credit Suisse?
Cerca de 16 bilhões de francos suíços em títulos Additional Tier 1 (AT1) foram anulados, ou seja, seu valor foi reduzido a zero, resultando em perda total para os detentores desses títulos.
Qual foi o papel do Saudi National Bank na crise?
O Saudi National Bank era o maior acionista do banco. Quando seu presidente declarou que não faria novos investimentos devido a regras regulatórias, isso desencadeou um pânico entre os investidores e acelerou a queda das ações.