Ciclones Tropicais no Atlântico Sul
Pontos principais
- O Furacão Catarina (2004) é o único furacão plenamente registrado na história do Atlântico Sul.
- A forte cisalhadura do vento e a baixa força de Coriolis perto do equador são os principais inibidores de ciclones na região.
- O Centro Hidrográfico da Marinha do Brasil nomeia sistemas com ventos sustentados a partir de 65 km/h.
- Um estudo de 2012 identificou 63 ciclones subtropicais no Atlântico Sul entre 1957 e 2007.
Os ciclones tropicais no Atlântico Sul são fenômenos meteorológicos extremamente incomuns no Hemisfério Sul. A formação de sistemas intensos nesta região é dificultada por fatores ambientais rigorosos, como a forte cisalhadura do vento (wind shear), que desestabiliza a estrutura dos ciclones, e a escassez de perturbações atmosféricas favoráveis ao desenvolvimento tropical no Oceano Atlântico Sul.
Historicamente, acreditava-se que a formação de ciclones tropicais fosse impossível nesta bacia. No entanto, a ocorrência do Furacão Catarina em 2004 alterou a percepção científica sobre a região, provando que, embora raros, tais sistemas podem se desenvolver e atingir intensidades significativas.

Climatologia e Fatores Inibidores
A raridade dos ciclones tropicais no Atlântico Sul é atribuída a três fatores principais:
- Cisalhadura do Vento: A presença de forte cisalhadura vertical do vento na troposfera impede que a tempestade mantenha sua estrutura organizada.
- Força de Coriolis: A Zona de Convergência Intertropical (ZCIT) posiciona-se geralmente apenas um ou dois graus ao sul do equador, o que é insuficiente para que a força de Coriolis auxilie significativamente na rotação do sistema.
- Temperatura da Água: As temperaturas superficiais do mar nos trópicos do Atlântico Sul tendem a ser mais baixas do que as encontradas no Atlântico Norte.

Histórico e Monitoramento
Embora a crença inicial fosse de inexistência, estudos posteriores e dados de satélite revelaram a ocorrência de sistemas subtropicais. Um estudo publicado em 2012 concluiu que houve 63 ciclones subtropicais no Atlântico Sul entre 1957 e 2007.
O Furacão Catarina
Em março de 2004, um ciclone extratropical transitou para um ciclone tropical, atingindo a categoria 2 na escala Saffir-Simpson. O sistema fez landfall no estado de Santa Catarina, Brasil, com ventos de até 160 km/h. O evento resultou na morte de 3 a 11 pessoas e causou danos materiais milionários, tornando-se o primeiro furacão registrado na história do Atlântico Sul.
Sistemas Recentes e Nomeação
Desde 2011, o Centro Hidrográfico da Marinha do Brasil (CHMB) atribui nomes a sistemas tropicais e subtropicais na parte ocidental da bacia (oeste de 20°W) que apresentem ventos sustentados de pelo menos 65 km/h. Entre os sistemas notáveis, destacam-se:
- Tempestade Subtropical Arani (2011): Monitorada pela Marinha e pelo INMET.
- Tempestade Tropical Iba (2019): O primeiro sistema plenamente tropical a ser nomeado a partir da lista brasileira.
- Tempestade Tropical Akará (2024): Um dos eventos mais recentes registrados na região.
Infraestrutura de Aviso e Previsão
O governo brasileiro tem buscado aprimorar a capacidade de resposta a esses eventos. Em julho de 2025, durante a 42ª Assembleia da Organização da Aviação Civil Internacional (ICAO), foi expressa a intenção de estabelecer um Centro de Avisos de Ciclones Tropicais (TCAC) no Rio de Janeiro para a METAREA V. O objetivo é integrar este centro ao Programa de Ciclones Tropicais da Organização Meteorológica Mundial (WMO), com previsão de status operacional para dezembro de 2026.
Nomenclatura de Tempestades
A lista de nomes é gerida pelo Serviço de Meteorologia Naval do Centro Hidrográfico da Marinha do Brasil. Os nomes são atribuídos em ordem alfabética e sequencialmente, independentemente do ano. A lista original de 2011, com 15 nomes, foi expandida em 2022 com a adição de 32 novos nomes devido ao esgotamento da lista anterior. Exemplos de nomes utilizados incluem Arani, Bapo, Cari, Deni, Eçaí, Guará, Iba, Jaguar, Kurumí e Mani.
Perguntas frequentes
Por que os furacões são raros no Atlântico Sul?
A raridade deve-se principalmente à forte cisalhadura vertical do vento, que desorganiza a estrutura da tempestade, e a temperaturas da água geralmente mais baixas do que no Atlântico Norte, além de uma posição da ZCIT que limita a influência da força de Coriolis.
Qual foi o impacto do Furacão Catarina?
O Furacão Catarina atingiu o estado de Santa Catarina em março de 2004, com ventos de até 160 km/h, causando entre 3 e 11 mortes e danos materiais significativos.
Quem é responsável por nomear as tempestades no Atlântico Sul?
O Centro Hidrográfico da Marinha do Brasil (CHMB) é responsável por atribuir nomes a sistemas tropicais e subtropicais na parte ocidental da bacia, especificamente a oeste de 20°W.
O que é a METAREA V?
A METAREA V é a região do Atlântico Sul ocidental, incluindo a costa brasileira, para a qual o governo brasileiro planeja estabelecer um Centro de Avisos de Ciclones Tropicais (TCAC) no Rio de Janeiro.