Burro de Miranda: A Raça Asinina Autóctone de Portugal
Pontos principais
- É a única raça de burro oficialmente reconhecida em Portugal.
- Originária da região da Terra de Miranda, no nordeste de Portugal.
- Classificada como raça ameaçada desde 2003.
- Reconhecida como raça protegida pela União Europeia em 2001.
O Burro de Miranda (Equus asinus) é uma raça asinina autóctone de Portugal, originária da região da Terra de Miranda, no nordeste do país. Reconhecida oficialmente em 2001 pelo Departamento de Agricultura de Portugal, esta é a única raça de burro oficialmente reconhecida em território português e foi a primeira raça asinina do país a integrar o grupo de raças indígenas protegidas pela União Europeia.
Características Físicas e Comportamentais
O Burro de Miranda apresenta características morfológicas adaptadas às condições ambientais extremas e ao solo agrícola do Planalto Mirandês. Entre as suas principais características destacam-se:
- Pelagem: Os espécimes nascem com a pelagem aparentemente preta, que posteriormente evolui para tons de castanho.
- Porte: Possui uma altura ao garrote que varia entre 1,20 e 1,35 metros.
- Morfologia: Caracteriza-se por orelhas longas e peludas, cascos grandes, testa larga e olhos pequenos com arcos orbitais projetados. Possui pernas fortes, pescoço robusto, dorso curto e musculado e um peito poderoso.
- Marcações: Apresenta marcações do tipo "pangare" ao redor dos olhos, no focinho e na linha inferior do ventre.
Em comparação com outras raças de burros, o Burro de Miranda é distinguido por possuir pelos mais longos e por ser considerado mais sociável e dócil.

História e Relação com a Sociedade Mirandesa
Durante séculos, o Burro de Miranda foi a base da agricultura na Terra de Miranda, sendo essencial para o arado da terra e o transporte de mercadorias. Devido à sua ascendência do asno selvagem africano, a raça herdou a capacidade de sobreviver em terrenos difíceis e com escassez de pasto, tornando-a ideal para as terras altas de Portugal.
A importância social do animal era tamanha que as feiras de burros (feiras de burros) constituíam eventos centrais na organização socioeconômica da região. No entanto, a mecanização agrícola e a fragmentação das pequenas parcelas de terra tornaram o animal economicamente obsoleto como força de trabalho.
Declínio e Risco de Extinção
Atualmente, a raça enfrenta sérios riscos de extinção, não apenas biológicos, mas também socioculturais. Estima-se que a maioria dos proprietários de Burros de Miranda tenha mais de 75 anos, o que significa que a sobrevivência da raça depende fortemente de uma geração de agricultores idosos que mantêm os animais mais por afeto do que por rentabilidade econômica.
Desde 2003, a raça é classificada como ameaçada. Embora a população tenha se estabilizado em cerca de 800 animais — aproximadamente um quarto da população registrada na década de 1970 —, a falta de interesse das gerações mais jovens e o despovoamento rural do Planalto Mirandês agravam a situação.
Preservação e Valor Cultural
O Burro de Miranda deixou de ser visto apenas como uma ferramenta agrícola para se tornar um símbolo da tradição rural em declínio. Esforços de conservacionistas visam preservar a raça para salvaguardar um patrimônio genético, ecológico e cultural único de Portugal.
A raça também mantém a sua presença em manifestações culturais, como o festival realizado anualmente em julho, que comemora a tradição dos tocadores de gaita-de-fole que utilizavam estes animais como meio de transporte.
Perguntas frequentes
O que torna o Burro de Miranda diferente de outros burros?
O Burro de Miranda distingue-se por ter pelos mais longos, ser mais dócil e sociável, além de possuir características físicas robustas adaptadas ao clima e solo do Planalto Mirandês.
Qual é a situação atual da raça?
A raça é considerada ameaçada desde 2003. A população estabilizou em cerca de 800 animais, mas a sobrevivência da espécie depende em grande parte de proprietários idosos.
Por que o Burro de Miranda é importante para a cultura de Portugal?
Além do seu valor genético, o animal foi fundamental para a agricultura tradicional da Terra de Miranda e hoje representa um símbolo do patrimônio cultural e rural do nordeste português.