Vida e Obra de Franco Maria Ricci
Pontos principais
- Fundador da revista de arte FMR, conhecida por sua estética de fundo preto e alta qualidade visual.
- Criador do Labirinto della Masone em Fontanellato, um complexo de sete hectares que inclui museu e biblioteca.
- Editor da edição original do Codex Seraphinianus, uma das obras mais singulares do século XX.
- Especialista em edições de luxo com materiais nobres, como seda e papel feito à mão.
Franco Maria Ricci (2 de dezembro de 1937 – 10 de setembro de 2020) foi um influente editor de arte e revistas italiano, reconhecido por sua abordagem estética rigorosa e por fundar a editora Ricci Editore. Sua carreira foi marcada pela criação de publicações de luxo e projetos artísticos monumentais que fundiram a literatura, a história da arte e o design gráfico.
A Revista FMR e a Estética Editorial
Em 1982, Ricci lançou a FMR, uma revista de arte bimestral sediada em Milão e publicada em cinco idiomas: italiano, inglês, alemão, francês e espanhol. O nome da publicação, além de representar as iniciais do fundador, evoca a palavra francesa éphémère (efêmero), sugerindo a natureza transitória da arte e da beleza.
A FMR destacou-se por estudos iconológicos e de história da arte, utilizando fotografias e desenhos de grande formato reproduzidos sobre fundos pretos, criando um impacto visual dramático. Essa estética rendeu à revista elogios de figuras proeminentes; o cineasta Federico Fellini referiu-se a ela como a "pérola negra", enquanto Jacqueline Kennedy a descreveu como a revista mais bela do mundo.
Ao longo de sua existência, a FMR contou com a colaboração de intelectuais e escritores de renome, incluindo Jorge Luis Borges, Italo Calvino, Umberto Eco e Octavio Paz. Em 2002, Ricci vendeu a revista para a empresa Art'é, de Marilena Ferrari, e em 2003 Flaminio Gualdoni assumiu a edição. Em 2007, foi lançada a FMR White, focada em arte contemporânea. Ambas as publicações cessaram a circulação em 2009, embora Ricci tenha recuperado os direitos autorais da marca em 2015.
O Labirinto della Masone
Após a venda da FMR, Ricci dedicou-se a um projeto arquitetônico e artístico ambicioso em Fontanellato: o Labirinto della Masone. Concluído em 2015, o labirinto estende-se por sete hectares, sendo considerado um dos maiores do mundo. O complexo não é apenas uma estrutura de sebes, mas integra um museu de arte e uma biblioteca, servindo como uma extensão física de sua visão editorial e filosófica sobre a exploração e a descoberta.
Contribuições Editoriais e Obras Notáveis
A Ricci Editore tornou-se famosa por suas edições limitadas, frequentemente caracterizadas por papel feito à mão tingido e capas duras em seda preta com gravações em prata ou ouro. Entre as publicações mais emblemáticas de Ricci estão:
- Codex Seraphinianus: Ricci publicou a edição original desta obra surrealista e enigmática, escrita em um alfabeto inventado.
- Guido Crepax: A editora foi responsável pela publicação de diversos livros do artista e autor de quadrinhos Guido Crepax.
A trajetória de Ricci foi marcada por ciclos de gestão de sua empresa; ele vendeu a Ricci Editore a Marilena Ferrari em 2007, mas retomou o controle da editora em 2015.
Perguntas frequentes
O que era a revista FMR?
A FMR era uma revista de arte bimestral publicada em cinco idiomas, famosa por seus estudos iconológicos e sua estética visual distinta, com imagens sobre fundo preto.
O que é o Labirinto della Masone?
É um labirinto monumental de sete hectares localizado em Fontanellato, Itália, criado por Franco Maria Ricci e que abriga também um museu e uma biblioteca.
Qual a relação de Ricci com o Codex Seraphinianus?
Franco Maria Ricci foi o editor responsável pela publicação da edição original do Codex Seraphinianus, obra famosa por seu idioma e ilustrações imaginárias.