História e Cultura Indígena

Tribos Cheyenne e Arapaho

Pontos principais

  • União de dois povos distintos, os Cheyenne e Arapaho, que compartilham a família linguística algonquina.
  • Foram forçados a se deslocar para Oklahoma após os tratados de Fort Laramie (1851) e Medicine Lodge (1867).
  • Possuem um governo tripartido com poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, sediado em Concho, Oklahoma.
  • A economia tribal é impulsionada significativamente pela rede de cassinos Lucky Star.

As Tribos Cheyenne e Arapaho constituem uma nação indígena unida e reconhecida federalmente pelos Estados Unidos, composta por povos dos grupos Southern Arapaho e Southern Cheyenne. Com sede em Concho, Oklahoma, a tribo exerce sua jurisdição sobre diversas áreas do oeste do estado.

História e Origens

Embora hoje formem uma única entidade governamental, os Cheyenne e os Arapaho são dois povos distintos com trajetórias históricas próprias.

O Povo Cheyenne

Os Cheyenne (Tsétsėhéstȧhese, que significa "O Povo", ou Tsitsistas) eram originalmente agricultores situados nas proximidades dos Grandes Lagos, na região da atual Minnesota. A língua Cheyenne representa um ramo único da família linguística algonquina. A nação originou-se da união de duas tribos relacionadas: os Tsétsėhéstȧhese e os Só'taeo'o, que se fundiram no início do século XVIII.

A cultura Cheyenne é profundamente influenciada por heróis culturais e sistemas de crenças. Os Só'taeo'o, representados por Erect Horns, são os guardiões do Chapéu de Búfalo Sagrado, enquanto os Tsétsėhéstȧhese, representados por Sweet Medicine, cuidam do feixe de Flechas Sagradas. Sob a influência da visão de Erect Horns, o povo adotou a cultura do cavalo no século XVIII, migrando para as planícies em busca de búfalos. Sweet Medicine foi fundamental na organização da sociedade Cheyenne, estabelecendo o Conselho de Quarenta e Quatro chefes de paz e as sociedades de guerreiros.

O Povo Arapaho

Os Arapaho (Hinono'ei), também falantes de línguas algonquinas, migraram de regiões que abrangem Saskatchewan, Montana, Wyoming, Colorado oriental e Dakota do Sul ocidental durante o século XVIII. Assim como os Cheyenne, adotaram a cultura equestre, tornando-se caçadores nômades eficientes. Por volta de 1800, a tribo dividiu-se em grupos do norte e do sul.

Historicamente, os Arapaho auxiliaram os Cheyenne e os Lakota a repelir os Kiowa das planícies do norte, embora tenham firmado a paz com estes últimos em 1840, tornando-se comerciantes prósperos até a expansão dos colonos americanos após a Guerra Civil Americana.

Aliança e Conflitos Territoriais

No século XVIII e XIX, os Cheyenne e Arapaho formaram uma aliança estratégica que os tornou uma força militar formidável, além de caçadores e comerciantes ativos. No auge dessa união, seus territórios de caça estendiam-se de Montana ao Texas.

Em 1851, os Arapaho assinaram o Tratado de Fort Laramie com os Estados Unidos, que garantia seus direitos sobre terras tradicionais no Colorado, Kansas, Nebraska e Wyoming. Contudo, o governo dos EUA não conseguiu impor o cumprimento do tratado, resultando em invasões de colonos e conflitos recorrentes.

Em 1867, sob o Tratado de Medicine Lodge, as tribos foram reunidas novamente. Embora tenha sido prometida uma reserva no Kansas aos Arapaho, eles optaram por uma reserva conjunta com os Cheyenne no Território Indígena, sendo forçados a se deslocar para o sul, próximo a Fort Reno, na Agência de Darlington, no atual Oklahoma.

Impacto Legislativo e Reorganização

A base territorial das tribos foi fragmentada pela Dawes Act, e as terras não atribuídas a indivíduos indígenas foram abertas à colonização no Land Run de 1892. Posteriormente, a Curtis Act de 1898 buscou desmantelar os governos tribais para forçar a assimilação dos membros à cultura dos Estados Unidos.

A reorganização política ocorreu após a aprovação da Oklahoma Indian Welfare Act em 1936, levando à criação de um governo tribal único em 1937. O desenvolvimento da autonomia tribal foi posteriormente fortalecido pelo Indian Self-Determination Act de 1975.

Governo e Administração

O governo das Tribos Cheyenne e Arapaho é sediado em Concho, Oklahoma. A estrutura governamental é dividida em três poderes:

  • Poder Executivo: Liderado pelo Governador e pelo Vice-Governador. Em 2025, a administração é composta pelo Governador Reggie Wassana e o Vice-Governador Hershel Gorham.
  • Poder Legislativo: Composto por legisladores representando quatro distritos Arapaho e quatro distritos Cheyenne.
  • Poder Judiciário: Inclui a Suprema Corte (um Juiz Presidente e quatro Juízes Associados), um Tribunal de Primeira Instância e outras cortes inferiores conforme determinado pela legislatura.

O Conselho Tribal engloba todos os membros da tribo com mais de 18 anos. Em 2006, foi ratificada uma nova Constituição que substituiu a de 1975.

Desenvolvimento Econômico

A nação tribal diversificou sua economia, operando atualmente cinco cassinos da rede Lucky Star Casino (localizados em Clinton, Concho, Watonga, Hammon e Canton) e três lojas de tabaco (smoke shops). A tribo também emite suas próprias placas de veículos. Estima-se que o impacto econômico de suas atividades seja de aproximadamente 32 milhões de dólares.

Perguntas frequentes

Quem são as Tribos Cheyenne e Arapaho?

São uma nação indígena unida e reconhecida federalmente nos Estados Unidos, composta por descendentes dos povos Southern Arapaho e Southern Cheyenne, sediada em Oklahoma.

Qual a origem dos povos Cheyenne e Arapaho?

Os Cheyenne originaram-se como agricultores perto dos Grandes Lagos (atual Minnesota), enquanto os Arapaho migraram de regiões como Saskatchewan e Montana antes de ambos adotarem a cultura do cavalo e a vida nômade nas planícies.

Como funciona o governo da tribo?

O governo é dividido em Executivo (Governador e Vice), Legislativo (representantes de distritos Cheyenne e Arapaho) e Judiciário (Suprema Corte e tribunais de primeira instância).

Quais leis impactaram a base territorial da tribo?

A Dawes Act e a Curtis Act foram fundamentais na fragmentação de suas terras e na tentativa de desmantelar a governança tribal para forçar a assimilação cultural.