Mídia e Imprensa

The Jewish Chronicle: O Jornal Judaico Mais Antigo do Mundo

Pontos principais

  • Fundado em 1841, é o jornal judaico publicado continuamente mais antigo do mundo.
  • Passou por diversas mudanças de propriedade, incluindo a gestão da família Kessler e a aquisição por um consórcio privado em 2020.
  • Teve um papel fundamental na promoção do sionismo no Reino Unido no início do século XX.
  • Enfrentou crises financeiras severas entre 2018 e 2020, levando a sua liquidação voluntária e venda.

O The Jewish Chronicle (conhecido como The JC) é um jornal semanal sediado em Londres, especializado na comunidade judaica. Fundado em 1841, detém o título de jornal judaico publicado continuamente mais antigo do mundo.

Logotipo ou fachada do The Jewish Chronicle
The Jewish Chronicle, publicação histórica da comunidade judaica de Londres.

Publicação e Formato

O periódico é publicado todas as sextas-feiras, com exceção dos feriados judaicos. Seu conteúdo abrange notícias gerais, artigos de opinião, reportagens sociais, culturais, esportivas, além de editoriais e cartas dos leitores.

Histórico Editorial e Propriedade

Século XIX

O jornal surgiu em 12 de novembro de 1841, sob a edição inicial de David Meldola e Moses Angel. Após uma breve suspensão em 1842, retomou a publicação em outubro de 1844 como um quinzenal, sob a direção de Joseph Mitchell, retornando ao formato semanal em 1847.

Em 1855, A. Benisch assumiu como proprietário e editor, legando a publicação à Anglo-Jewish Association em 1878. Posteriormente, o jornal foi adquirido por Asher I. Myers, Sydney M. Samuel e Israel David. Durante a década de 1880, o veículo foi palco de debates sobre a resposta da comunidade judaica de Londres aos pogroms no Império Russo, culminando em ações públicas contra as atrocidades após pressões internas e externas.

Século XX e a Influência do Sionismo

Arquivo histórico do The Jewish Chronicle
Exemplar histórico do periódico evidenciando sua evolução visual.

Em dezembro de 1906, L.J. Greenberg, líder sionista inglês, adquiriu o jornal com o apoio de investidores como Jacobus Kann e David Wolffsohn para promover o sionismo. Sob a gestão de Greenberg, o The JC consolidou um quase monopólio na imprensa judaica da época, absorvendo concorrentes como o The Hebrew Observer e o The Jewish World (este último fundido ao The JC em 1934).

Após a morte de Greenberg em 1931, o jornal manteve uma postura moderadamente pró-sionista sob Leopold Kessler. No final da década de 1930, David F. Kessler assumiu a direção executiva. Após a Segunda Guerra Mundial, houve conflitos editoriais internos quando o editor Ivan Greenberg adotou posições sionistas de direita, sendo posteriormente substituído por um editor moderado por decisão de David F. Kessler.

Na década de 1960, a família Kessler detinha 80% das ações. Para garantir a sustentabilidade do veículo, foi criada uma fundação de propriedade inspirada no modelo do Scott Trust (proprietário do The Guardian), com David F. Kessler atuando como presidente até 1999.

Século XXI e Desafios Financeiros

A gestão editorial do século XXI contou com nomes como Ned Temko (1990-2005), David Rowan (2006-2008) e Stephen Pollard (2008-2021). Em dezembro de 2021, Pollard foi sucedido por Jake Wallis Simons.

A partir de 2018, o jornal enfrentou graves crises financeiras, com prejuízos milionários e a exaustão das reservas da Kessler Foundation. Em 2019, um consórcio de 20 indivíduos e fundos beneficentes, organizado por Jonathan Goldstein, realizou doações para evitar o fechamento do periódico. Alan Jacobs tornou-se o novo presidente.

Em fevereiro de 2020, houve a intenção de fundir o The JC com o Jewish News, mas o plano não se concretizou. Em abril de 2020, o jornal entrou em liquidação voluntária e foi adquirido por um consórcio privado composto por banqueiros, profissionais de radiodifusão e figuras políticas. Sob a edição de Jake Wallis Simons, a linha editorial do jornal deslocou-se para a direita.

Situação Atual

Em 2024, a circulação semanal média foi de 10.082 exemplares (incluindo 4.442 cópias gratuitas), refletindo um declínio significativo em relação aos 32.875 exemplares de 2008. Recentemente, reportagens do The Guardian indicaram a saída de jornalistas proeminentes do veículo, citando a falta de transparência na estrutura de propriedade e a publicação de histórias fabricadas.

Perguntas frequentes

O que é o The Jewish Chronicle?

É um jornal semanal sediado em Londres, fundado em 1841, especializado em notícias e assuntos da comunidade judaica.

Qual a importância histórica do The Jewish Chronicle?

O jornal é notável por ser a publicação judaica contínua mais antiga do mundo e por ter sido um veículo central na promoção do sionismo no Reino Unido.

Quem é o atual editor do The Jewish Chronicle?

Desde janeiro de 2025, o editor é Daniel Schwammenthal.

Por que o jornal passou por dificuldades financeiras recentemente?

Devido ao declínio da circulação e a um déficit previdenciário, as reservas da Kessler Foundation foram exauridas, levando a liquidação voluntária e a venda para um consórcio privado em 2020.