Terrorismo de Esquerda
Pontos principais
- O objetivo principal é a substituição do capitalismo por sistemas socialistas, comunistas ou anarquistas.
- O conceito de 'propaganda pelo ato' do grupo russo Narodnaya Volya foi uma influência central para a tática de violência simbólica.
- A onda moderna de terrorismo de esquerda ganhou força a partir de 1968, com forte presença na Europa Ocidental e América Latina durante a Guerra Fria.
- Diferencia-se do terrorismo nacionalista por ter objetivos ideológicos geralmente não negociáveis, embora ambos frequentemente se sobreponham.
O terrorismo de esquerda é uma forma de violência política motivada por ideologias de extrema-esquerda. Seu objetivo central é a derrubada de sistemas capitalistas vigentes para a implementação de sociedades baseadas em modelos comunistas, marxistas, anarquistas ou socialistas. Em alguns contextos, essa modalidade de terrorismo também ocorre dentro de estados que já se definem como socialistas, manifestando-se como ações criminosas contra o governo governante.
A maioria dos grupos terroristas de esquerda surgiu após a Segunda Guerra Mundial, atingindo seu ápice de atividade durante a Guerra Fria. Embora tenham sido predominantes nas décadas de 1970 e 1980, a maioria dessas organizações desapareceu ou declinou significativamente até meados da década de 1990.

Ideologia e Fundamentos
Os grupos e indivíduos vinculados ao terrorismo de esquerda são influenciados por diversas correntes anarquistas, comunistas e socialistas, com destaque para o marxismo e suas derivações, como o marxismo-leninismo e o maoísmo.
A Propaganda pelo Ato
Uma influência fundamental foi a organização socialista revolucionária Narodnaya Volya, que operou no Império Russo no século XIX. Responsável pelo assassinato do czar Alexandre II em 1881, o grupo desenvolveu o conceito de "propaganda pelo ato" (propaganda of the deed), a ideia de que ações violentas simbólicas podem catalisar a consciência revolucionária das massas e inspirar a insurreição popular.
Distinções Teóricas e Estratégicas
Pesquisadores como Sarah Brockhoff, Tim Krieger e Daniel Meierrieks argumentam que, enquanto o terrorismo de esquerda é motivado ideologicamente, o terrorismo nacionalista-separatista é motivado etnicamente. Uma diferença crucial reside na natureza das demandas: os objetivos revolucionários da esquerda tendem a ser não negociáveis, ao passo que grupos nacionalistas frequentemente aceitam concessões políticas.
Apesar dessa distinção, há frequentemente interseções. Muitos movimentos de esquerda expressaram solidariedade a grupos de libertação nacional que utilizam o terrorismo, como a Organização para a Libertação da Palestina (OLP) e os Tupamaros no Uruguai, interpretando suas lutas como parte de um combate global contra o capitalismo. Da mesma forma, movimentos como o ETA (País Basco) e o Exército Republicano Irlandês Provisório (IRA) incorporaram ideologias socialistas e comunistas em suas agendas nacionalistas.
Perspectiva Histórica
As raízes do terrorismo de esquerda remontam ao anarquismo do século XIX e início do XX, mas a modalidade moderna consolidou-se no contexto da agitação política de 1968.
A Onda Moderna
Segundo o professor David C. Rapoport, a onda moderna de terrorismo de esquerda teve início em 1968, exemplificada pelo sequestro do voo 426 da El Al pela Frente Popular para a Libertação da Palestina (PFLP). A partir daí, a violência política de esquerda espalhou-se por diversas regiões:
- Europa Ocidental: Destacaram-se a Fração do Exército Vermelho (RAF) na Alemanha Ocidental, as Brigadas Vermelhas (BR) na Itália, a Organização Revolucionária 17 de Novembro (17N) na Grécia, a Action Directe (AD) na França e as Células Combatentes Comunistas (CCC) na Bélgica.
- Ásia: O Exército Vermelho Japonês foi um dos grupos mais notáveis, enquanto os Tigres de Libertação do Tamil Eelam (LTTE) iniciaram atividades que posteriormente se tornaram predominantemente nacionalistas.
- América Latina: Grupos como os Sandinistas na Nicarágua, o Sendero Luminoso no Peru e os Tupamaros no Uruguai utilizaram a violência armada para tentar instaurar regimes socialistas.
Táticas e Alvos
Existe um debate acadêmico sobre a natureza dos alvos escolhidos por grupos de esquerda. Alguns analistas, como David Brannan, sugerem que esses grupos tendem a evitar ataques indiscriminados contra a população civil, pois isso contrariaria a imagem de "protetores da classe trabalhadora" e alienaria a base popular que buscam conquistar. No entanto, outros pesquisadores contestam essa visão, argumentando que a violência de esquerda pode ser tão indiscriminada quanto a de direita, dependendo do grupo e do contexto histórico.
Perguntas frequentes
O que é o terrorismo de esquerda?
É a violência política cometida por indivíduos ou grupos motivados por ideologias de extrema-esquerda, visando derrubar o sistema capitalista para instaurar regimes socialistas, comunistas ou anarquistas.
Qual a diferença entre terrorismo de esquerda e terrorismo nacionalista?
O terrorismo de esquerda é motivado por uma ideologia política global (como o marxismo), enquanto o nacionalista é motivado por identidade étnica ou territorial. Além disso, as demandas de esquerda costumam ser menos flexíveis para negociações.
O que significa 'propaganda pelo ato'?
É a crença de que atos violentos contra figuras de autoridade ou símbolos do Estado servem como propaganda, despertando a consciência revolucionária da população e incentivando a revolta.
Quais foram os grupos de esquerda mais influentes na Europa?
Entre os mais notáveis estão a Fração do Exército Vermelho (Alemanha), as Brigadas Vermelhas (Itália) e a Organização 17 de Novembro (Grécia).