Política e História

Slogan 'Morte à América': Origens, Contexto e Uso Político

Pontos principais

  • O slogan foi popularizado por Ruhollah Khomeini após a Revolução Iraniana de 1979.
  • A tradução literal do persa 'Marg bar Âmrikâ' é 'Morte à América', mas oficialmente é traduzida como 'Abaixo a América'.
  • O governo do Irã instituiu o 'Dia da Morte à América' em 4 de novembro, marcando a invasão da embaixada dos EUA em Teerã.
  • Líderes iranianos argumentam que o slogan visa as políticas governamentais e a 'arrogância' dos EUA, e não o povo americano.

O slogan "Morte à América" é uma expressão política utilizada para manifestar anti-americanismo ou antipatia em relação aos Estados Unidos da América. Embora tenha sido adotado por diversos grupos e manifestantes em escala global, sua popularização e institucionalização ocorreram predominantemente no Irã, sob a liderança de Ruhollah Khomeini.

Origens e Significado no Irã

A frase em persa, Marg bar Âmrikâ (مرگ بر آمریکا), traduz-se literalmente como "Morte à América". No entanto, em traduções oficiais iranianas para o inglês, a expressão é frequentemente vertida como "Down with America" (Abaixo a América), visando suavizar a conotação literal do termo.

Historicamente, o slogan é apresentado por líderes iranianos como uma reação às políticas do governo dos Estados Unidos em relação aos países islâmicos, e não como um desejo de morte literal para a população civil americana. O Líder Supremo do Irã, Ali Khamenei, interpretou a frase como "morte às políticas dos EUA, morte à arrogância", direcionando a crítica a políticos específicos e a posturas governamentais, distinguindo a nação americana de seu governo.

Manifestantes em Teerã gritando slogans anti-americanos
Manifestações públicas no Irã onde o slogan é frequentemente utilizado.

Contexto Histórico e Evolução

O uso sistemático do slogan intensificou-se após a queda da dinastia Pahlavi, pró-americana, no início de 1979. Durante a Crise dos Reféns, iniciada em 4 de novembro de 1979 com a invasão da embaixada dos EUA em Teerã, manifestantes gritavam "Morte à América" e "Morte a Carter" (referindo-se ao então presidente Jimmy Carter). Mesmo na libertação dos reféns em 20 de janeiro de 1981, os diplomatas americanos foram conduzidos por linhas de estudantes que repetiam o slogan.

Na República Islâmica do Irã, a frase tornou-se um pilar dos valores revolucionários. Ela é entoada regularmente em orações de sexta-feira (jumu'ah) e em eventos públicos, muitas vezes acompanhada pela queima da bandeira dos Estados Unidos. Em 1987, o governo iraniano declarou o dia 4 de novembro como o "Dia da Morte à América", transformando a data da invasão da embaixada em um feriado nacional.

Expansão e Variações

Uma variação comum e amplamente utilizada em comícios políticos no Irã e no Paquistão é o slogan "Morte a Israel" (Marg bar Esrâ'il). Além disso, a retórica anti-imperialista levou a adoção de frases similares em outros contextos, como na Coreia do Norte, onde manifestantes já entoaram "Morte aos imperialistas dos EUA" em Pyongyang.

Mural com slogans anti-americanos em cidade do Oriente Médio
Murais patrocinados pelo Estado são comuns em cidades iranianas, especialmente em Teerã.

Uso no Oriente Médio e Globalmente

O slogan extrapolou as fronteiras iranianas, sendo adotado por grupos alinhados ao Irã ou que compartilham de visões anti-americanistas. O Hezbollah, grupo militante xiita no Líbano, utiliza a frase regularmente em demonstrações de rua. O slogan também foi registrado em manifestações no Afeganistão, Iêmen, Iraque e Paquistão.

Recentemente, o uso da frase em solo americano também ocorreu, como em um comício do Dia de Quds em Dearborn, Michigan, em 2024, embora os organizadores e as autoridades locais tenham condenado a prática como inaceitável.

Contrapontos e Protestos Internos

A frase "Morte à América" também encontrou eco em slogans invertidos por parte de manifestantes anti-governo dentro do Irã. Em protestos como os ocorridos após a morte de Mahsa Amini em 2022, manifestantes utilizaram frases como "Morte a Khamenei" e "Morte à República Islâmica", demonstrando a rejeição ao regime teocrático que institucionalizou o slogan original.

Perguntas frequentes

O que significa literalmente 'Morte à América' em persa?

A frase 'Marg bar Âmrikâ' (مرگ بر آمریکا) significa literalmente 'Morte à América', embora traduções oficiais iranianas prefiram 'Abaixo a América' para suavizar o termo.

Quem popularizou o slogan?

O slogan foi popularizado por Ruhollah Khomeini, o primeiro líder supremo do Irã, tornando-se um elemento central da retórica revolucionária da República Islâmica.

O slogan é interpretado como um desejo de morte para cidadãos americanos?

Líderes iranianos, incluindo Ali Khamenei, afirmam que o slogan não visa a nação americana, mas sim as políticas do governo dos Estados Unidos e a 'arrogância' do Estado.

Existem variações do slogan?

Sim, a variação mais conhecida é 'Morte a Israel', frequentemente entoada em comícios políticos no Irã e no Paquistão.