Sistema de Informação sobre a Biodiversidade Oceânica
Pontos principais
- É a maior base de dados de acesso aberto do mundo sobre a diversidade, distribuição e abundância de organismos marinhos.
- É gerido pelo programa IODE da Comissão Oceanográfica Intergovernamental da UNESCO.
- Utiliza o World Register of Marine Species (WoRMS) para a padronização taxonômica e resolução de sinônimos.
- Sua sede operacional e secretaria estão localizadas em Ostende, Bélgica, no Instituto Marinho de Flandres (VLIZ).
O Sistema de Informação sobre a Biodiversidade Oceânica (do inglês Ocean Biodiversity Information System, OBIS) é um ponto de acesso baseado na web que fornece informações detalhadas sobre a distribuição e a abundância de espécies vivas nos oceanos. Originalmente desenvolvido como o componente de gestão de informações do Census of Marine Life (CoML) — um esforço global realizado entre 2001 e 2010 —, o OBIS expandiu seu escopo para integrar dados de biodiversidade marinha de diversas fontes, desde que disponibilizados em regime de acesso aberto por seus respectivos custodiantes.
Atualmente, o OBIS define-se como uma central global de dados e informações de acesso aberto sobre a biodiversidade marinha, servindo como ferramenta essencial para a ciência, a conservação e o desenvolvimento sustentável dos oceanos.

Histórico e Evolução
O conceito do OBIS começou a ser delineado em outubro de 1997, durante uma reunião sobre a vida bentônica (organismos que habitam o fundo do mar). Em 1998, a Universidade de Rutgers, nos Estados Unidos, lançou um site experimental para demonstrar a viabilidade do sistema. Em 1999, a realização do primeiro Workshop Internacional OBIS em Washington, DC, permitiu a definição do escopo do projeto e a articulação de sua visão: criar um atlas mundial on-line para acessar, modelar e mapear dados biológicos marinhos em um contexto geográfico multidimensional.
O financiamento inicial foi viabilizado em maio de 2000 por agências governamentais dos EUA, através do National Oceanographic Partnership Program, e pela Fundação Alfred P. Sloan. Em 2001, a National Science Foundation (NSF) financiou a Universidade de Rutgers para desenvolver o portal global do sistema.
Expansão de Dados e Governança
O portal de produção do OBIS foi lançado em 2002, integrando inicialmente 430.000 registros georreferenciados de oito bases de dados parceiras, incluindo o FishBase (peixes) e o CephBase (cefalópodes). A escala do sistema cresceu exponencialmente: em 2006, possuía 9,5 milhões de registros; em 2010, ao final do Census of Marine Life, alcançou 27,7 milhões de registros de 167.000 nomes taxonômicos.
Em 2009, o OBIS foi adotado pelo programa International Oceanographic Data and Information Exchange (IODE) da Comissão Oceanográfica Intergovernamental (IOC) da UNESCO. Com a cessação do financiamento da Fundação Sloan em 2011, a secretaria e a hospedagem do sistema foram transferidas para o Instituto Marinho de Flandres (VLIZ), em Ostende, Bélgica, onde o sistema permanece mantido e desenvolvido.
Estrutura Operacional e Taxonomia
O OBIS é dirigido pelo IODE, com o apoio de um grupo orientador (SG-OBIS) e um Comitê Executivo (OBIS-EC). A secretaria, sediada em Ostende, fornece treinamento técnico e assistência aos provedores de dados, além de orientar a criação de novos padrões de dados para fomentar a cooperação internacional.
Para garantir a precisão das informações, o OBIS utiliza bases de dados taxonômicas rigorosas para controlar a exibição de espécies e a navegação hierárquica. As principais fontes são:
- World Register of Marine Species (WoRMS): O registro global de espécies marinhas.
- IRMNG: O Registro Interino de Gêneros Marinhos e Não Marinhos.
Essa integração permite a resolução de sinônimos, processo que reduz múltiplos nomes registrados para uma única nomenclatura aceita, garantindo a integridade científica dos dados.
Escopo dos Dados
O sistema abrange todos os grupos de organismos com associação a habitats marinhos ou estuarinos, incluindo:
- Vertebrados marinhos: Peixes, mamíferos marinhos, tartarugas e aves marinhas.
- Invertebrados marinhos: Incluindo o zooplâncton.
- Micro-organismos: Bactérias marinhas.
- Plantas marinhas: Fitoplâncton, algas, manguezais e gramíneas marinhas.
Os dados cobrem não apenas a coluna d'água, mas também as linhas de costa e a atmosfera imediatamente acima do oceano, proporcionando uma visão holística da biodiversidade oceânica.
Perguntas frequentes
O que é o OBIS?
O OBIS (Ocean Biodiversity Information System) é um sistema global de acesso aberto que fornece dados sobre a distribuição e abundância de espécies marinhas para apoiar a ciência e a conservação.
Quem administra o OBIS?
O sistema é administrado pelo programa IODE da Comissão Oceanográfica Intergovernamental (IOC) da UNESCO, com suporte técnico do Instituto Marinho de Flandres (VLIZ) na Bélgica.
Quais tipos de organismos estão incluídos no OBIS?
O sistema inclui todos os organismos associados a habitats marinhos ou estuarinos, desde bactérias e fitoplâncton até grandes vertebrados como baleias e tubarões.
Como o OBIS garante que os nomes das espécies estejam corretos?
O OBIS integra-se com bases de dados taxonômicas como o World Register of Marine Species (WoRMS) para resolver sinônimos e garantir que cada espécie seja referenciada por seu nome aceito cientificamente.