Síndrome Poliendócrina Autoimune Tipo 1
Pontos principais
- É uma doença autossômica recessiva causada por mutações no gene AIRE no cromossomo 21.
- A tríade clássica consiste em candidíase mucocutânea crônica, hipoparatireoidismo e doença de Addison.
- O gene AIRE é fundamental para a tolerância imunológica, evitando que o corpo ataque seus próprios tecidos.
A Síndrome Poliendócrina Autoimune Tipo 1 (APS-1), também conhecida como síndrome de Whitaker ou APECED (do inglês Autoimmune Polyendocrinopathy-Candidiasis-Ectodermal Dystrophy), é um distúrbio genético raro caracterizado pela disfunção de múltiplas glândulas endócrinas resultante de um processo autoimune. A condição é herdada de forma autossômica recessiva e decorre de uma mutação no gene AIRE.

Causas e Genética
A APS-1 é causada por mutações no gene AIRE (Autoimmune Regulator), localizado no cromossomo 21 (especificamente na região 21q22.3). A proteína codificada por este gene desempenha um papel crucial na indução da tolerância imunológica no timo, impedindo que linfócitos T autorreativos ataquem os tecidos do próprio corpo.
Existem centenas de mutações possíveis no gene AIRE que podem levar à síndrome. A prevalência de mutações específicas varia conforme a região geográfica. Por exemplo, a mutação R139X é comum na Sardenha, enquanto a R257 é prevalente na Finlândia. Em populações da Noruega, Grã-Bretanha e América do Norte, foi identificada uma deleção de 13 pares de bases (c.967-979del13bp).
Manifestações Clínicas
Os sintomas da APS-1 costumam surgir precocemente, geralmente por volta dos 3,5 anos de idade, e tendem a ser graves. A tríade clássica da síndrome inclui:
- Candidíase mucocutânea crônica: Infecções fúngicas persistentes na pele e mucosas.
- Hipoparatireoidismo: Deficiência de paratormônio, levando a baixos níveis de cálcio no sangue.
- Doença de Addison: Insuficiência adrenal primária, que afeta a produção de cortisol e aldosterona.
Além da tríade principal, os pacientes podem apresentar distrofia ectodérmica (afetando esmalte dentário, unhas e pele), hepatite autoimune, hipogonadismo, vitiligo, alopecia, anemia perniciosa, cataratas e ataxia cerebelar.
Mecanismo Patológico
A patologia da APS-1 reside na falha da tolerância imunológica central. A ausência de uma proteína AIRE funcional impede a eliminação de células T que reconhecem antígenos próprios. Isso resulta em reações autoimunes contra diversos órgãos endócrinos e não endócrinos. Estudos indicam reações anormais envolvendo interferon ômega e interferon alfa, além de possíveis reações contra a interleucina 22, o que contribui para a suscetibilidade à candidíase.
Diagnóstico e Tratamento
O diagnóstico da APS-1 é multidisciplinar e baseia-se na identificação de autoanticorpos séricos específicos, testes endócrinos e, em alguns casos, exames de imagem como tomografia computadorizada (TC) ou biópsias histológicas para avaliar danos em órgãos específicos.

O tratamento é sintomático e focado na reposição hormonal das glândulas afetadas (como a terapia com cortisol para a doença de Addison e cálcio/vitamina D para o hipoparatireoidismo). O controle da candidíase requer antifúngicos sistêmicos. A imunossupressão pode ser indicada em casos específicos. Atualmente, o inibidor de JAK-STAT ruxolitinibe está sob investigação devido ao seu potencial em normalizar os níveis de interferon-gama.
Perguntas frequentes
O que é a Síndrome Poliendócrina Autoimune Tipo 1?
É uma doença genética rara onde o sistema imunológico ataca múltiplas glândulas endócrinas, causando falência hormonal.
Quais são os sintomas mais comuns da APS-1?
Os sintomas mais frequentes incluem infecções fúngicas crônicas (candidíase), insuficiência das glândulas paratireoides e insuficiência adrenal (doença de Addison).
Como a APS-1 é herdada?
A síndrome é herdada de forma autossômica recessiva, o que significa que a pessoa deve herdar uma cópia mutada do gene AIRE de cada progenitor.
Existe cura para a APS-1?
Não há cura definitiva, mas os sintomas são gerenciados com terapia de reposição hormonal e tratamentos antifúngicos.