Sociologia

Protestantes Anglo-Saxões Brancos

Pontos principais

  • O termo WASP refere-se a protestantes brancos de ascendência anglo-saxã que historicamente dominaram a elite social e política dos EUA.
  • A Igreja Episcopal é frequentemente vista como a denominação religiosa central do estereótipo WASP.
  • O termo foi popularizado sociologicamente por E. Digby Baltzell na década de 1960 para descrever a 'casta' do estabelecimento americano.
  • Embora em declínio desde os 60, o grupo ainda mantém influência significativa em finanças e filantropia.

O termo Protestantes Anglo-Saxões Brancos (do inglês White Anglo-Saxon Protestant, comumente abreviado como WASP) é um conceito sociológico utilizado para descrever a classe alta de americanos brancos, de fé protestante e, geralmente, de ascendência inglesa, que historicamente compuseram a cultura dominante nos Estados Unidos. Em contextos mais amplos, alguns sociólogos incluem no grupo protestantes brancos de ascendência do noroeste e norte da Europa.

Historicamente, a identidade WASP foi construída em contraste com outros grupos, como católicos, judeus, imigrantes irlandeses, europeus do sul e do leste, além de populações não brancas. Por grande parte da história dos Estados Unidos, esse grupo exerceu hegemonia sobre a sociedade, a cultura e a política do país, sendo frequentemente referido por críticos como "O Estabelecimento" (The Establishment).

Representação visual relacionada à cultura e elite WASP
A cultura WASP está intrinsecamente ligada à formação das instituições sociais e políticas dos Estados Unidos.

Origem e Definição do Termo

A terminologia evoluiu ao longo do tempo, apresentando diferentes nuances dependendo do autor:

  • Andrew Hacker (1957): O cientista político utilizou o termo WASP, sugerindo que o "W" poderia significar wealthy (rico), em vez de white (branco), argumentando que a distinção racial seria redundante dado que a ascendência anglo-saxã já implica a cor da pele. Hacker descreveu esse grupo como detentor do poder nacional em seus aspectos econômicos, políticos e sociais.
  • Stetson Kennedy (1948): Em uso anterior, o autor escreveu no jornal The New York Amsterdam News, definindo WASPs como protestantes anglo-saxões brancos que se aliavam para marginalizar grupos minoritários, incluindo negros, católicos e judeus.
  • E. Digby Baltzell (1964): O sociólogo popularizou o termo em sua obra The Protestant Establishment: Aristocracy and Caste in America. Baltzell enfatizou a natureza "estamental" ou de casta do grupo, argumentando que a autoridade do estabelecimento estava em declínio no meio do século XX devido ao caráter fechado dessa elite.

Afiliações Religiosas

Tradicionalmente, os WASPs são associados a denominações protestantes históricas (mainline Protestant), como a Igreja Episcopal (Anglicana), Presbiteriana, Metodista Unida e Congregacionalista. A Igreja Episcopal, em particular, é frequentemente citada como a expressão máxima do estereótipo WASP devido às suas fortes ligações com a aristocracia britânica.

O Conceito de Anglo-Saxonismo

O anglo-saxonismo, especialmente em sua vertente protestante, ganhou força no final do século XIX, impulsionado por missionários americanos que buscavam expandir seus valores globais. Nesse período, o protestantismo evangélico dominava a cena cultural, e as lideranças intelectuais e políticas da nação propagavam morais compatíveis com a ascendência do norte da Europa.

Antes da popularização do termo WASP na década de 1960, a expressão "anglo-saxão" era utilizada de forma similar, muitas vezes de maneira depreciativa por escritores hostis à aliança informal entre os Estados Unidos e o Reino Unido. Esse uso crítico permanece comum na França, onde o termo é utilizado para descrever a influência cultural ou política da "anglosfera" e a relação diplomática especial entre Washington e Londres.

Perspectivas Históricas e Críticas

A aplicação do termo nem sempre foi consensual. Em 1918, o presidente Woodrow Wilson afirmou a um oficial britânico que o termo "anglo-saxão" não poderia mais ser aplicado corretamente ao povo dos Estados Unidos, defendendo que as relações entre as nações deveriam basear-se em ideais e interesses comuns, e não em ancestralidade étnica.

Influência Contemporânea

Embora a influência social e a hegemonia absoluta das elites WASP tenham declinado desde a década de 1960, o grupo continua a desempenhar um papel central em setores estratégicos como finanças, política e filantropia nos Estados Unidos. Além disso, o termo é ocasionalmente aplicado a elites semelhantes na Austrália, Nova Zelândia e Canadá.

Perguntas frequentes

O que significa a sigla WASP?

WASP é a sigla para White Anglo-Saxon Protestant (Protestante Anglo-Saxão Branco), referindo-se a membros da elite branca, protestante e de ascendência inglesa nos Estados Unidos.

Qual a diferença entre o uso de 'WASP' e 'Anglo-Saxão'?

Enquanto 'Anglo-Saxão' é um termo mais antigo e étnico, 'WASP' é um termo sociológico que combina raça, religião e classe social para descrever a elite dominante americana.

Os WASPs são apenas americanos?

Embora o termo seja primariamente associado aos Estados Unidos, ele também é utilizado para descrever elites semelhantes em outros países da anglosfera, como Canadá, Austrália e Nova Zelândia.