Sociologia e Economia

Proteção Social na África Subsaariana

Pontos principais

  • Apenas 16,9% dos idosos na África Subsaariana recebiam pensões por velhice segundo dados da OIT de 2014/15.
  • A maioria dos sistemas de pensão na região opera no modelo pay-as-you-go (PAYG), com forte predominância de Benefícios Definidos em áreas francófonas.
  • Cerca de 60 milhões de crianças na África foram beneficiadas por programas de alimentação escolar em 2017/18, com 80% do financiamento vindo de governos nacionais.

A proteção social na África Subsaariana caracteriza-se por sistemas ainda em desenvolvimento, embora o crescimento econômico de diversas nações da região e os esforços coordenados para a redução da pobreza estejam impulsionando transformações significativas na estrutura de assistência governamental.

Sistemas de Seguridade Social e Pensões

Os países africanos encontram-se em diferentes estágios de implementação de sistemas de seguridade social abrangentes. A maioria já introduziu algum mecanismo de provisão de pensões ou estabeleceu a seguridade social como um objetivo estratégico de Estado.

Modelos de Financiamento e Cobertura

A maior parte da renda de aposentadoria na região é financiada por governos através de impostos ou outras receitas públicas, operando predominantemente sob o sistema de pay-as-you-go (PAYG), onde as contribuições atuais financiam os benefícios presentes. Devido à alta concentração de trabalhadores do setor formal no serviço público, as pensões para servidores são geralmente mais consolidadas e generosas do que as do setor privado.

Existem distinções regionais quanto aos modelos de benefício: esquemas de Benefício Definido (DB) são comuns em países francófonos da África Ocidental, no Magrebe, Egito e Sudão. Já os esquemas de Contribuição Definida (DC), frequentemente na forma de fundos de providência, prevalecem em nações anglófonas, especialmente na África Subsaariana.

Apesar desses modelos, a cobertura é significativamente inferior à de outras regiões globais. Dados do Relatório Mundial de Proteção Social do Escritório Internacional do Trabalho (OIT) de 2014/15 indicam que apenas 16,9% dos idosos na África Subsaariana recebiam pensões por velhice, comparado a 36,7% no Norte da África e cerca de 90% na América do Norte e Europa.

Desafios e Reformas Estruturais

A baixa cobertura é atribuída a fatores como a demografia (população predominantemente jovem), a vasta dimensão do setor de emprego informal, a migração com baixa portabilidade de pensões e a dependência de finanças governamentais. Para enfrentar esses desafios, muitos países adotaram o modelo de múltiplos pilares proposto pelo Banco Mundial em 2005.

Duas tendências principais de reforma emergiram:

  • Redes de Segurança Básica: Introdução de pensões não contributivas para indivíduos sem outra fonte de renda. Países como África do Sul, Namíbia, Maurício e Lesoto utilizam pensões universais não contributivas como base para a cobertura social, impactando positivamente a redução da pobreza intergeracional, já que muitos idosos utilizam esses recursos para a educação e saúde dos netos.
  • Transição para Soluções Financiadas: Migração de sistemas não financiados (PAYG) para soluções financiadas e de esquemas DB para DC, visando reduzir a carga fiscal insustentável sobre os orçamentos governamentais.

A Nigéria, por exemplo, foi pioneira no continente ao explorar contas individuais financiadas, inspirando-se em modelos do Chile e do México.

Programas de Alimentação Escolar

A alimentação escolar é uma ferramenta estratégica de proteção social integrada aos sistemas educacionais de diversos países africanos. Estima-se que, em 2017/18, cerca de 60 milhões de crianças tenham sido beneficiadas por esses programas, representando 21% de todas as crianças em idade escolar na região (e 30% das crianças no ensino primário).

Alcance e Financiamento

Os maiores programas em volume de beneficiários encontram-se no Egito, Nigéria e África do Sul. Alguns países alcançaram coberturas expressivas, como eSwatini (85%), África do Sul (72%), Zimbábue (67%) e Botsuana (62%).

O financiamento desses programas é diversificado. Embora países de baixa renda dependam mais de fontes externas, como o Programa Mundial de Alimentos (PMA), estima-se que 80% do orçamento total destinado à alimentação escolar no continente seja provido pelos próprios governos africanos, com um investimento total superior a 1,3 bilhão de dólares americanos no período de 2017/18.

Alimentação Escolar Sustentável

Observa-se uma tendência crescente em direção à alimentação escolar de base local (home-grown school feeding), que prioriza a compra de alimentos de pequenos produtores domésticos. Essa abordagem visa não apenas garantir a segurança alimentar dos estudantes, mas também estimular a economia rural e apoiar a agricultura familiar local.

Perguntas frequentes

Qual a diferença entre os sistemas de pensão DB e DC na África?

O sistema de Benefício Definido (DB) garante um valor de benefício pré-determinado, sendo comum em países francófonos. O sistema de Contribuição Definida (DC) baseia-se no montante acumulado nas contribuições, sendo mais prevalente em países anglófonos da África Subsaariana.

O que são pensões não contributivas?

São benefícios pagos pelo governo a pessoas que não contribuíram para a previdência social, geralmente destinados a idosos em situação de pobreza para servir como uma rede de segurança básica.

Como funcionam os programas de alimentação escolar na África?

Esses programas fornecem refeições cozidas, lanches ou rações para levar para casa, visando aumentar a frequência escolar e combater a malnutrição. Recentemente, tem havido um foco em comprar alimentos de produtores locais para apoiar a agricultura familiar.