O conceito de 'O que Jesus faria?' (WWJD)
Pontos principais
- A frase foi popularizada globalmente pelo romance 'In His Steps' (1896) de Charles Sheldon.
- O conceito baseia-se na tradição teológica da 'Imitatio Christi' (Imitação de Cristo).
- A sigla WWJD tornou-se um fenômeno cultural entre jovens cristãos nos anos 1990 através do uso de pulseiras.
- O autor Charles Sheldon vinculou a frase ao movimento do Evangelho Social, focando na justiça social e combate à pobreza.
A frase "O que Jesus faria?", frequentemente abreviada como WWJD (do inglês What Would Jesus Do?), tornou-se um lema popular no cristianismo, especialmente nos Estados Unidos. A expressão serve como um lembrete moral para que os fiéis busquem agir de acordo com o exemplo de Jesus Cristo em suas decisões cotidianas, demonstrando amor e compaixão por meio de suas ações.

Fundamentos Teológicos
O conceito baseia-se na ideia de Imitatio Christi (Imitação de Cristo), uma tradição teológica que enfatiza a vida do cristão como um reflexo da vida de Jesus. Historicamente, essa doutrina foi desenvolvida por figuras como Santo Agostinho de Hipona por volta do ano 400 d.C. e fundamenta-se em passagens bíblicas, como a Epístola aos Gálatas (2:20), onde Paulo de Tarso afirma que Cristo vive no cristão.
A Igreja Católica Romana também enfatiza a Imitatio Christi, conceito que é resumido na indagação prática: "O que Jesus faria?"
Origens e Evolução da Frase
Primeiros Registros
Antes de se tornar um fenômeno global, a frase já era utilizada em contextos religiosos específicos. O pregador batista evangélico Charles Spurgeon utilizou a expressão "o que Jesus faria" em sermões proferidos em Londres em 1891, citando como influência a obra Imitatio Christi (A Imitação de Cristo), escrita por Tomás de Kempis entre 1418 e 1427.
Simultaneamente, em 1891, o Rev. A.B. Simpson, fundador da Igreja da Aliança Cristã e Missionária, compôs um hino gospel intitulado "What Would Jesus Do", registrado no livro Hymns of the Christian Life.
O Impacto do Romance de Charles Sheldon (1896)
A popularização massiva da frase ocorreu com a publicação do livro In His Steps: What Would Jesus Do? (em português, Nos Seus Passos), escrito por Charles Sheldon em 1896. A obra surgiu de uma série de sermões proferidos por Sheldon em sua igreja congregacional em Topeka, Kansas.
Diferente de abordagens puramente individuais, a teologia de Sheldon estava ligada ao Evangelho Social (Social Gospel), movimento que defendia a aplicação dos princípios cristãos para resolver problemas sociais, como a pobreza e a injustiça. Sheldon via Jesus não apenas como Salvador, mas como um exemplo moral supremo. Essa visão foi corroborada por Walter Rauschenbusch, que reconheceu a influência direta do romance de Sheldon em suas próprias ideias sobre o Evangelho Social.
Devido a um erro de direitos autorais na publicação original, o livro tornou-se acessível a diversas editoras, o que impulsionou suas vendas para cerca de 30 milhões de cópias mundialmente, tornando-se um dos romances mais vendidos da história. A trama foca no Rev. Henry Maxwell e outros personagens que, desafiados por um homem em situação de rua, passam a questionar a conduta de suas vidas sob a ótica do exemplo de Cristo, focando especialmente no cuidado com os marginalizados.
Resurgimento na Década de 1990
A frase experimentou um novo pico de popularidade nos anos 1990, transformando-se em um acessório de moda e identidade religiosa. O movimento começou de forma orgânica na Igreja Reformada de Calvary, em Holland, Michigan, onde a líder de grupo de jovens Janie Tinklenberg incentivou os adolescentes a usarem pulseiras com a sigla WWJD para lembrar a frase.
O fenômeno espalhou-se rapidamente por grupos de jovens cristãos em todo o mundo. Posteriormente, surgiu a pulseira FROG, um acrônimo para Fully Rely On God ("Confie Plenamente em Deus"), como um complemento à reflexão proposta pelo WWJD.
Cultura Popular e Derivações
No século XXI, o conceito continuou a influenciar a cultura popular. Em 2005, Garry Wills publicou What Jesus Meant, analisando a aplicação real dos ensinamentos de Jesus. Entre 2010 e 2015, foram lançados três filmes sob a marca WWJD, incluindo The Woodcarver (2012), que explorou temas semelhantes de redenção e imitação moral.
A expressão também se tornou um snowclone (um modelo de frase repetido com substituições), gerando variações como "O que Lincoln faria?" ou "O que Reagan faria?", adaptando a estrutura da pergunta para outras figuras históricas ou políticas.
Perguntas frequentes
O que significa a sigla WWJD?
WWJD é a abreviação da frase em inglês 'What Would Jesus Do?', que em português significa 'O que Jesus faria?'.
Qual a origem da popularidade da frase no século XX?
A popularidade inicial deveu-se ao livro 'In His Steps' (1896), de Charles Sheldon, que incentivava os cristãos a agir conforme o exemplo de Jesus, especialmente em relação aos pobres.
Quem iniciou a tendência das pulseiras WWJD nos anos 90?
A tendência começou com Janie Tinklenberg, líder de um grupo de jovens na Igreja Reformada de Calvary, em Michigan, EUA.
Qual a relação entre WWJD e o Evangelho Social?
O autor Charles Sheldon utilizava a frase para promover o 'Evangelho Social', defendendo que a fé cristã deve se manifestar em ações concretas para melhorar as condições sociais da sociedade.