O Mito do Papa de Hitler
Pontos principais
- Obra escrita pelo rabino e historiador David G. Dalin e publicada em 2005.
- Defende que o Papa Pio XII salvou centenas de milhares de judeus durante o Holocausto.
- Contrapõe a tese de John Cornwell em 'Hitler's Pope', argumentando que as acusações contra Pio XII são mitos.
- Cita o apoio de líderes judeus da época, como Golda Meir e Chaim Weizmann, à atuação do pontífice.
O Mito do Papa de Hitler (título original: The Myth of Hitler's Pope: How Pope Pius XII Rescued Jews from the Nazis) é uma obra de não ficção publicada em 2005 pelo historiador e rabino americano David G. Dalin. Publicada pela Regnery Publishing, a obra surge como uma resposta apologética e historiográfica às críticas direcionadas ao Papa Pio XII, especialmente após a publicação do livro Hitler's Pope, de John Cornwell.
Contexto e Origem
A gênese do livro remonta a 2001, quando Joseph Bottum, editor literário do The Weekly Standard, encomendou a Dalin um artigo de revisão abrangente sobre a literatura referente a Pio XII. O objetivo era analisar as controvérsias que cercavam o pontificado de Pio XII, que haviam sido intensificadas por obras que o acusavam de silêncio ou cumplicidade diante do regime nazista.
O ensaio original de Dalin, posteriormente expandido para o livro, concluiu que o Papa Pio XII atuou como um "Gentio Justo", salvando centenas de milhares de vidas durante o Holocausto. Embora a recepção tenha sido mista entre críticos, alguns revisores, incluindo analistas do New York Times, reconheceram que o Papa fez mais do que a maioria para abrigar e proteger judeus perseguidos.

Conteúdo e Argumentação
Dalin estrutura sua obra em duas frentes principais. Primeiramente, ele apresenta evidências históricas de que diversos papas ao longo da história defenderam a comunidade judaica e refutaram calúnias, como a libelo de sangue. Em seguida, o autor foca na defesa da reputação de Pio XII.
Defesa de Pio XII
Utilizando documentação de arquivos eclesiásticos e estatais de diversos países europeus, Dalin argumenta que a imagem de Pio XII como simpatizante do nazismo é infundada. O autor sugere que o Yad Vashem deveria honrar o pontífice como um "Gentio Justo", citando que líderes judeus da época, como o Rabino Chefe Yitzhak HaLevi Herzog, a primeira presidente de Israel, Chaim Weizmann, e os primeiros-ministros Golda Meir e Moshe Sharett, elogiaram a atuação do Papa.
Dalin também menciona que Albert Einstein teria expressado gratidão pela coragem do Papa e da Igreja Católica em um artigo publicado na revista Time em 1940.
Crítica aos Detratores
O autor critica severamente historiadores e ex-clérigos, como John Cornwell e Garry Wills, alegando que suas polêmicas anti-papais utilizam a tragédia do Holocausto para promover agendas políticas internas visando forçar mudanças na estrutura da Igreja Católica contemporânea.
Além disso, Dalin propõe uma inversão de foco, argumentando que o verdadeiro "clérigo de Hitler" teria sido Hajj Amin al-Husseini, o Grão-Mufti de Jerusalém, que manteve estreitos laços com Adolf Hitler e Adolf Eichmann durante a guerra.
Recepção Crítica
A obra foi recebida como uma contribuição essencial por alguns historiadores. Martin Gilbert, biógrafo oficial de Winston Churchill e especialista no Holocausto, descreveu o livro como um "caso poderoso" em favor de Pio XII, sugerindo que a tentativa de canonização do Papa por João Paulo II não deveria ter sido vista como ofensiva ou insensível aos judeus.
Francis Phillips, escrevendo para o Jerusalem Post, descreveu a obra como robusta e argumentativa, afirmando que a representação de Pio XII como antissemita é, no mínimo, grotesca.
Perguntas frequentes
Qual é o objetivo principal do livro 'O Mito do Papa de Hitler'?
O livro visa reabilitar a imagem do Papa Pio XII, argumentando que ele não foi cúmplice de Hitler, mas sim um protetor de judeus durante o Holocausto.
Quem é David G. Dalin?
David G. Dalin é um historiador e rabino americano que escreveu a obra para contestar a narrativa de que Pio XII teria sido indiferente ao genocídio nazista.
Como o autor justifica a tese de que Pio XII foi um 'Gentio Justo'?
Dalin utiliza documentos de arquivos europeus e depoimentos de líderes judeus contemporâneos ao Papa, como Golda Meir e Chaim Weizmann, para provar que a Igreja Católica abrigou milhares de judeus sob a proteção do pontífice.