Motor de Quatro Cilindros em Linha
Pontos principais
- É a configuração de motor de pistão mais comum em veículos modernos devido ao baixo custo e simplicidade de design.
- Possui balanceamento primário perfeito, mas apresenta desbalanceamento secundário que gera vibrações verticais.
- Utiliza apenas um cabeçote, reduzindo a complexidade em comparação com motores V4 ou Boxer.
- A tendência de 'downsizing' favoreceu a expansão do uso de motores de quatro cilindros turboalimentados.
O motor de quatro cilindros em linha (também conhecido como motor straight-four ou inline-four) é um motor de pistões onde os quatro cilindros estão dispostos em uma única linha ao longo de um virabrequim comum. Esta configuração é a mais prevalente na indústria automotiva global, sendo frequentemente referida genericamente apenas como "motor de quatro cilindros".
Embora existam outras disposições para quatro cilindros, como os motores flat-four (cilindros opostos) e V4, a configuração em linha é a mais comum devido à sua simplicidade de fabricação e menor custo de produção. Além de automóveis, esse layout é amplamente utilizado em motocicletas e maquinários industriais.

Design e Características Técnicas
Em um motor de quatro tempos e quatro cilindros em linha, há sempre um cilindro em sua fase de expansão (tempo de potência), o que garante uma entrega de energia mais constante do que em motores de menor cilindrada. Uma das principais vantagens competitivas deste design é a utilização de apenas um cabeçote, o que reduz a complexidade mecânica e os custos de montagem em comparação com motores V4 ou Boxer.
Cilindrada e Deslocamento
Nos automóveis modernos, os motores a gasolina de quatro cilindros em linha geralmente apresentam deslocamentos entre 1,3 e 2,5 litros. Historicamente, houve exceções com motores maiores, como o Bentley 4½ Litre (1927–1931) ou os modelos Porsche 944 e 968, que utilizaram motores de 3,0 litros.
Os motores a diesel tendem a ter deslocamentos maiores. Exemplos incluem motores turboalimentados da Mitsubishi (3,2 L) e Toyota (3,0 L). Em caminhões europeus e asiáticos com peso bruto total entre 7,5 e 18 toneladas, é comum encontrar motores diesel em linha de aproximadamente 5 litros. Deslocamentos ainda maiores são aplicados em locomotivas, embarcações e motores estacionários.
No extremo oposto, existem motores de baixíssima cilindrada, como os encontrados nos kei cars japoneses, onde as regulamentações limitam o deslocamento a 660 cc.
Balanceamento Primário e Secundário
Motores de quatro cilindros em linha com a configuração de virabrequim preferencial possuem balanceamento primário perfeito. Isso ocorre porque os pistões se movem em pares: enquanto um par sobe, o outro desce simultaneamente, anulando as forças primárias.
No entanto, esses motores sofrem de um desbalanceamento secundário. Este fenômeno é causado pela aceleração e desaceleração dos pistões na metade superior da rotação do virabrequim ser maior do que na metade inferior, devido ao fato de as bielas não terem comprimento infinito. Isso gera uma vibração vertical que ocorre no dobro da velocidade do virabrequim.
A intensidade dessa vibração é influenciada pela massa recíproca, a relação entre o comprimento da biela e o curso do pistão, e a velocidade máxima do pistão. Em motores de pequena cilindrada com pistões leves, o efeito é mínimo; já em motores de alta performance, utilizam-se bielas mais longas para mitigar o problema. Contudo, a vibração cresce quadraticamente com o aumento da rotação (RPM).

Mitigação de Vibrações e Entrega de Potência
Pulsações na Entrega de Energia
Diferente de motores com cinco ou mais cilindros, que conseguem manter ao menos um cilindro em tempo de potência a todo momento, os motores de quatro cilindros apresentam lacunas na entrega de energia. Cada cilindro completa seu tempo de expansão antes que o próximo comece, resultando em pulsações que geram mais vibrações do que em configurações de maior número de cilindros.
Uso de Eixos de Balanceamento
Para reduzir as vibrações, especialmente em motores de maior deslocamento, utiliza-se frequentemente um sistema de eixos de balanceamento. Inventado em 1911, o sistema consiste em dois eixos com pesos excêntricos que giram em direções opostas a duas vezes a velocidade do virabrequim.
A Mitsubishi Motors patenteou esse sistema nos anos 1970, introduzindo-o no motor Astron sob o nome "Silent Shaft". Desde então, a tecnologia foi licenciada para diversas outras fabricantes.

Aplicações na Indústria Automotiva
O motor de quatro cilindros em linha tornou-se o padrão para a maioria dos veículos de passeio. A partir de 2005, houve um aumento significativo na sua prevalência, impulsionado por uma tendência global de motores menores e turboalimentados (downsizing) para atender a exigências de economia de combustível e redução de emissões.

Até o ano-modelo de 2025, estima-se que essa configuração seja utilizada em aproximadamente 60% dos novos veículos produzidos.
Perguntas frequentes
O que é um motor de quatro cilindros em linha?
É um motor onde os quatro cilindros estão dispostos em uma única linha paralela ao virabrequim, sendo a configuração mais comum em carros de passeio.
Por que motores de quatro cilindros vibram mais que motores de seis cilindros?
Devido a lacunas na entrega de potência (pulsações) e a um desbalanceamento secundário inerente ao movimento dos pistões, que gera vibrações no dobro da velocidade do virabrequim.
Para que serve o eixo de balanceamento?
O eixo de balanceamento é um mecanismo com pesos excêntricos que gira em sentido oposto ao virabrequim para anular as vibrações secundárias, especialmente em motores de maior cilindrada.
Qual a diferença entre um motor em linha e um motor Boxer?
O motor em linha dispõe os cilindros verticalmente em uma fila, enquanto o motor Boxer (flat-four) dispõe os cilindros horizontalmente e opostos, promov zamanda um centro de gravidade mais baixo.