Método do Elemento Aplicado
Pontos principais
- O AEM permite o rastreamento automático de colapsos estruturais, desde a fase elástica até a colisão de fragmentos.
- Foi desenvolvido a partir de pesquisas iniciadas em 1995 na Universidade de Tóquio pelo Dr. Hatem Tagel-Din.
- Diferencia-se do Método dos Elementos Finitos (FEM) por conectar elementos através de molas não lineares em vez de conexões fixas.
- Utiliza três tipos de molas: de matriz, de reforço e de contato, para simular diferentes comportamentos materiais.
O Método do Elemento Aplicado (AEM) é uma técnica de análise numérica utilizada para prever o comportamento contínuo e discreto de estruturas. Diferente de outros métodos de modelagem, o AEM adota o conceito de fissuração discreta, o que permite o rastreamento automático do comportamento de colapso estrutural através de todas as etapas de carregamento: desde a fase elástica, iniciação e propagação de fissuras em materiais com baixa resistência à tração, escoamento de armaduras, separação de elementos, até o contato, colisão entre elementos e a interação com o solo ou estruturas adjacentes.
Histórico e Desenvolvimento
A exploração da abordagem empregada no Método do Elemento Aplicado teve início em 1995 na Universidade de Tóquio, como parte das pesquisas do Dr. Hatem Tagel-Din. O termo "Método do Elemento Aplicado" foi formalmente cunhado no ano 2000, em um artigo intitulado "Applied element method for structural analysis: Theory and application for linear materials".
Desde a sua concepção, o AEM tem sido objeto de estudos em diversas instituições acadêmicas e aplicado em cenários reais. Pesquisas validaram a precisão do método para diversas finalidades, incluindo:
- Análise elástica e iniciação/propagação de fissuras.
- Estimativa de cargas de ruptura em estruturas de concreto armado.
- Análise de estruturas de concreto armado sob carregamento cíclico.
- Comportamento de flambagem e pós-flambagem.
- Análise dinâmica não linear de estruturas sujeitas a terremotos severos.
- Propagação de ruptura de falhas geológicas.
- Comportamento não linear de estruturas de alvenaria.
- Análise de paredes de polímeros reforçados com fibra de vidro (GFRP) sob cargas de explosão.
Fundamentos Técnicos
No AEM, a estrutura é dividida virtualmente e modelada como um conjunto de elementos relativamente pequenos. Esses elementos são conectados por um sistema de molas normais e de cisalhamento, localizadas nos pontos de contato distribuídos ao longo das faces dos elementos. Essas molas são responsáveis pela transferência de tensões normais e de cisalhamento de um elemento para o próximo.
Geração e Formulação de Elementos
A modelagem de objetos no AEM assemelha-se à do Método dos Elementos Finitos (FEM), onde cada objeto é dividido em uma série de elementos que formam uma malha. A diferença fundamental reside na forma como os elementos são unidos: enquanto no FEM a conexão é intrínseca à formulação do elemento, no AEM os elementos são conectados por molas não lineares que representam o comportamento do material.
Existem três tipos principais de molas utilizadas no AEM:
- Molas de Matriz: Conectam dois elementos e representam as propriedades principais do material do objeto.
- Molas de Barra de Reforço: Utilizadas para representar implicitamente barras de armadura que atravessam o objeto, eliminando a necessidade de adicionar elementos geométricos extras para a armadura.
- Molas de Contato: Geradas automaticamente quando dois elementos colidem entre si ou com o solo. Nesse caso, são geradas três molas: cisalhamento Y, cisalhamento X e normal.

Separação e Colisão Automática de Elementos
A separação de elementos ocorre de forma automática: quando o valor médio da deformação na face do elemento atinge a deformação de separação, todas as molas dessa face são removidas. A partir desse ponto, os elementos deixam de estar conectados até que ocorra uma nova colisão, momento em que passam a interagir como corpos rígidos.
A deformação de separação é o ponto em que elementos adjacentes se separam totalmente. Para o concreto, todas as molas entre as faces adjacentes, incluindo as de reforço, são cortadas. No caso do aço, as barras são cortadas se a tensão atingir o limite último ou se o concreto envolvente atingir a deformação de separação.
O contato ou colisão é detectado sem intervenção do usuário. O AEM permite que os elementos se separem, contraiam e colidam. Os métodos de contato incluem: vértice-face, aresta-aresta e vértice-solo.

Matriz de Rigidez
Em um modelo 2D, a rigidez das molas é calculada com base no módulo de Young (E), módulo de cisalhamento (G), espessura do elemento (T), distância entre molas (d) e o comprimento da área representativa (a). Cada mola representa a rigidez de uma área específica dentro do material estudado.
Para modelar barras de reforço embutidas no concreto, a área representativa (T·d) é substituída pela área da seção transversal real da barra de reforço. Embora o movimento do elemento seja tratado como um corpo rígido, as deformações internas são representadas pela deformação das molas ao redor de cada elemento. Isso significa que a forma individual do elemento não muda, mas o conjunto de elementos comporta-se de forma deformável.
Perguntas frequentes
O que é o Método do Elemento Aplicado (AEM)?
É um método de análise numérica usado para prever o comportamento de estruturas, permitindo simular desde a deformação elástica até o colapso total e a fragmentação de elementos.
Qual a principal diferença entre o AEM e o FEM?
Enquanto o Método dos Elementos Finitos (FEM) foca na continuidade do material, o AEM conecta elementos através de molas não lineares, facilitando a simulação de separações, fissuras e colisões automáticas.
Como o AEM lida com o concreto armado?
O AEM utiliza 'molas de barra de reforço' para representar a armadura de aço implicitamente, sem a necessidade de criar elementos geométricos adicionais para cada barra.
Como funciona a separação de elementos no AEM?
Quando a deformação média em uma face do elemento atinge um limite pré-definido (deformação de separação), as molas que unem os elementos são removidas, simulando a ruptura do material.