Máscaras Visard: Proteção e Mistério na Moda Moderna Precoce
Pontos principais
- A visard era uma máscara de veludo preto usada principalmente para evitar o bronzeado, que era sinal de pobreza.
- A variante veneziana, chamada moretta, impedia a fala da usuária para criar mistério.
- Foi amplamente utilizada por figuras históricas como a Rainha Elizabeth I e Ana de Dinamarca.
- A fixação podia ser feita por fitas ou por um botão interno preso entre os dentes.
A visard (também grafada como vizard) era uma máscara oval, geralmente confeccionada em veludo preto, amplamente utilizada por mulheres durante o período da era moderna precoce. Sua função primordial era a proteção da pele contra a exposição solar, uma vez que o bronzeado era associado ao trabalho manual ao ar livre e, consequentemente, a classes sociais desfavorecidas.

Características e Mecanismos de Fixação
As visards eram projetadas para cobrir a maior parte do rosto, possuindo apenas aberturas para os olhos. Para mantê-las no lugar, utilizavam-se dois métodos principais:
- Fitas ou amarras: A máscara era presa à cabeça por meio de fitas de cetim ou outros tecidos.
- Fixação bucal: Algumas versões possuíam uma conta ou botão fixado ao interior da máscara, que a usuária mantinha presa entre os dentes para estabilizá-la no rosto.

A Evolução para a Moretta
Em Veneza, a visard evoluiu para a moretta, uma variante que eliminava a abertura da boca. Essa característica era deliberada, pois a máscara era sustentada exclusivamente por um botão entre os dentes, impedindo a usuária de falar. O silêncio forçado visava aumentar o mistério e o fascínio em torno da mulher mascarada.

Uso Social e Críticas
Embora fosse um acessório de distinção, a prática não era universalmente aceita. Em 1583, Philip Stubbes, em sua obra Anatomy of Abuses, criticou severamente o uso dessas máscaras, descrevendo as mulheres que as utilizavam como figuras que poderiam ser confundidas com "monstros ou demônios" devido à ausência de traços faciais visíveis, exceto pelos orifícios dos olhos.
Uso em Cortes Europeias
A visard tornou-se um elemento comum nas cortes da Inglaterra e da Escócia entre os séculos XVI e XVII.
Inglaterra e a Rainha Elizabeth I
Registros indicam que máscaras eram usadas em Londres já em 1554. A Rainha Elizabeth I utilizava modelos luxuosos, forrados com couro perfumado e feitos de cetim. Em 1602, ela foi documentada usando uma máscara durante um passeio nos jardins do Palácio de Oatlands.
Escócia e Ana de Dinamarca
Nos anos 1590, Ana de Dinamarca utilizava visards de cetim preto, forradas com tafetá e decoradas com fitas florentinas, especificamente para proteger a pele durante cavalgadas. A ausência da máscara em certas ocasiões públicas era, por vezes, notada por observadores contemporâneos como um risco à sua compleição.

A Corte Stuart e a Era de Carlos I
Na corte de Carlos I, as máscaras eram conhecidas como "visard masks". Em 1627, o rei tentou restringir a entrada de mulheres "mascaradas e abafadas" na câmara de presença de Henrietta Maria. No entanto, exceções eram feitas por razões de saúde; a Condessa de Carlisle, por exemplo, foi autorizada a usar a máscara após contrair varíola.
A produção dessas peças era especializada. John King, fabricante de máscaras a serviço de Henrietta Maria, produzia modelos em couro colorido e as chamadas "visards venezianas", que possivelmente utilizavam técnicas italianas de modelagem de couro macio.
Resurgimento no Século XVII
Na década de 1660, a visard voltou a ser moda entre as damas inglesas. O diarista Samuel Pepys registrou em 1663 que Mary Cromwell utilizou a máscara durante toda a permanência em uma peça no Theatre Royal, Drury Lane, observando que tal prática havia se tornado uma tendência contemporânea para ocultar completamente o rosto.


Perguntas frequentes
O que era a visard?
A visard era uma máscara oval de veludo preto usada por mulheres na era moderna precoce para proteger a pele do sol e manter a pele clara, símbolo de status social.
Qual a diferença entre a visard e a moretta?
A moretta era uma versão veneziana da visard que não possuía abertura para a boca, sendo sustentada por um botão preso entre os dentes, o que impedia a usuária de falar.
Por que as mulheres usavam essas máscaras?
O principal motivo era a proteção solar para evitar o bronzeado, que indicava que a pessoa trabalhava ao ar livre e era pobre. Também eram usadas para disfarce e em eventos de corte.
Como a visard era presa ao rosto?
Ela podia ser presa por fitas ou amarras de cetim, ou através de um botão ou conta interna que a usuária apertava com os dentes.
Quem foram algumas das usuárias notáveis da visard?
Entre as usuárias notáveis estão a Rainha Elizabeth I da Inglaterra e Ana de Dinamarca, que utilizavam modelos luxuosos para proteção solar e cavalgadas.