Religião

Judaísmo Reformista no Reino Unido

Pontos principais

  • Fundiu-se com o Judaísmo Liberal em 2025 para formar o Judaísmo Progressista no Reino Unido e Irlanda.
  • Reconhece a descendência patrilinear desde 2015.
  • Ordenou a primeira rabina no Reino Unido, Jackie Tabick, em 1975.
  • Rejeita a natureza vinculativa da lei judaica (Halachá), priorizando valores éticos e morais.

O Movimento pelo Judaísmo Reformista (do inglês, Movement for Reform Judaism - MRJ), anteriormente conhecido como Reform Synagogues of Great Britain até 2005, foi uma das duas denominações afiliadas à União Mundial para o Judaísmo Progressista (WUPJ) no Reino Unido. Em 2025, foi confirmado por meio de votação que o MRJ se fundiria com o Judaísmo Liberal para criar uma única entidade: o Judaísmo Progressista para o Reino Unido e a Irlanda.

Histórico e Evolução

Historicamente, o movimento reformista era maior e considerado mais tradicional do que o Judaísmo Liberal. No entanto, ao longo do século XXI, as distinções entre as duas vertentes diminuíram. Enquanto o movimento Reformista passou por um processo de modernização, o Judaísmo Liberal reincorporou algumas tradições anteriormente descartadas. Ambas as denominações convergiram para posições semelhantes em termos de princípios e práticas, buscando equilibrar as tradições do passado com as realidades contemporâneas.

O MRJ era o segundo maior grupo religioso judaico no Reino Unido, representando 19,4% dos domicílios com membros de sinagogas. Com a fusão, o novo movimento, Judaísmo Progressista, representa aproximadamente 30% da população judaica britânica afiliada a sinagogas.

Crenças e Práticas Religiosas

A denominação compartilha os princípios fundamentais do Judaísmo Reformista (também chamado de Progressista ou Liberal) globalmente:

  • Concepção de Deus: Crença em um Deus teísta e pessoal.
  • Revelação Contínua: A crença de que as escrituras foram escritas sob a influência de uma revelação contínua, mas não ditadas pela providência, permitindo que os judeus contemporâneos alcancem novos insights religiosos sem estarem obrigatoriamente presos a convenções passadas.
  • Ética sobre Ritual: Os valores éticos e morais do judaísmo são vistos como a essência da fé, enquanto a observância ritual e prática serve para alcançar a elevação espiritual, não sendo um fim em si mesma. Consequentemente, a natureza vinculativa da lei judaica (Halachá) é rejeitada.
  • Era Messiânica: Crença na chegada de uma era messiânica em vez de um Messias pessoal, e na imortalidade da alma, rejeitando a ressurreição corporal.

Particularidades do Contexto Britânico

Embora alinhado com a União Americana para o Judaísmo Reformista, o movimento no Reino Unido manteve-se mais moderado. Isso ocorreu devido a uma base socialmente conservadora e ao desejo de atrair membros da maioria Ortodoxa Centrista britânica. Desde a década de 1970, houve um retorno a certos elementos tradicionais.

Em termos de liturgia, o MRJ manteve uma proporção mais alta de hebraico e aramaico em comparação com as vertentes liberais. A observância das leis dietéticas (Kashrut) e do Shabbat é considerável na esfera pública. A conversão exige a circuncisão para homens e a ablução para ambos os sexos, e o tribunal rabínico (Beth Din) emite documentos de divórcio semelhantes ao get.

Igualdade e Inclusão

O movimento avançou significativamente em questões de igualdade:

  • Clero: Ordenação de mulheres e clérigos LGBT. A primeira rabina, Jackie Tabick, foi ordenada em 1975.
  • Liturgia: Serviços igualitários, com a contagem de mulheres no minyan e plena participação feminina. As meninas celebram o Bat Mitzvah aos 13 anos, a mesma idade dos meninos.
  • Descendência: O reconhecimento de judeus por descendência patrilinear foi afirmado em 2015.
  • Casamentos: Realização de casamentos LGBT e acolhimento de cônjuges não judeus. Desde 2012, rabinos podem conduzir eventos celebrativos para casais interreligiosos, desde que a cerimônia não utilize clérigos ou motivos de outras religiões, nem elementos exclusivos de um casamento judaico ritual, como o dossel (Chupá).

Estrutura Organizacional

Até 2025, o Judaísmo Reformista contava com 42 sinagogas, sendo 40 na Inglaterra (12 na Grande Londres), uma em Cardiff e uma em Glasgow. Em 2010, possuía 16.125 domicílios membros.

As sinagogas eram autônomas, financiadas por seus membros, que também contratavam seus próprios rabinos. A governança era dividida entre:

  • Assembleia de Rabinos e Cantores Reformistas: Responsável pela publicação de livros de rezas e definição de políticas religiosas.
  • CEO do Movimento: Liderança executiva.
  • Presidente da Assembleia: Representação e organização do clero.
  • Beth Din: Tribunal rabínico localizado no Centro Sternberg, em Londres, cujas decisões são reconhecidas por todas as afiliadas da WUPJ mundialmente.

A formação do clero ocorria no Leo Baeck College, em Londres, instituição compartilhada com o Judaísmo Liberal.

Perguntas frequentes

O que é o Judaísmo Reformista no Reino Unido?

É uma vertente do judaísmo que prioriza a ética e a moral sobre a observância ritual rigorosa, rejeitando a natureza vinculativa da lei judaica e adaptando tradições às realidades modernas.

Qual a diferença entre o Judaísmo Reformista e o Judaísmo Liberal no Reino Unido?

Historicamente, o Reformista era mais tradicional e maior, enquanto o Liberal era mais progressista. No entanto, essas diferenças diminuíram ao longo do século XXI, levando à fusão de ambos em 2025 para formar o Judaísmo Progressista.

O movimento aceita a ordenação de mulheres e pessoas LGBT?

Sim, o movimento ordena mulheres e clérigos LGBT, realiza casamentos LGBT e promove a plena igualdade de gênero em seus serviços religiosos.

Como funciona a afiliação das sinagogas?

As sinagogas do movimento eram autônomas, possuindo gestão financeira e contratação de rabinos independentes, mas seguidas as diretrizes religiosas da Assembleia de Rabinos e Cantores Reformistas.