História

Invasão Francesa de Malta

Pontos principais

  • A invasão ocorreu em junho de 1798, liderada por Napoleão Bonaparte durante a campanha do Mediterrâneo.
  • O evento encerrou 268 anos de governo da Ordem dos Cavaleiros Hospitalários em Malta.
  • A resistência inicial foi rapidamente superada, levando à capitulação da Ordem e à ocupação francesa.
  • O domínio francês foi breve, terminando em 1800 após um levante maltês e a intervenção britânica.

A Invasão Francesa de Malta ocorreu em junho de 1798, quando a República Francesa, sob o comando de Napoleão Bonaparte, conquistou as ilhas de Malta e Gozo. Na época, o arquipélago era governado pela Ordem dos Cavaleiros Hospitalários (Ordem de São João). Esta operação militar foi parte integrante da campanha do Mediterrâneo durante as Guerras Revolucionárias Francesas.

Contexto Histórico

Durante o século XVIII, a Ordem de São João entrou em um período de declínio. Sua função original de combater a expansão otomana no Mediterrâneo tornou-se obsoleta, e a Ordem passou a depender financeiramente da França, país de onde provinha a maioria de seus membros. A Revolução Francesa, iniciada em 1789, agravou a situação financeira da Ordem e criou tensões internas, especialmente entre os cavaleiros franceses e a liderança da Ordem.

A posição estratégica de Malta, situada no centro do Mediterrâneo e dotada de um dos sistemas de fortificações mais robustos da Europa, atraiu o interesse de potências como a França. Em março de 1798, a Ordem recebeu informações sobre a mobilização de armamentos franceses em Toulon, mas o Grão-Mestre Ferdinand von Hompesch acreditou que o alvo seria Portugal ou a Irlanda, subestimando a ameaça iminente contra Malta.

A Invasão de Junho de 1798

Chegada da Frota e Ultimato

A frota francesa foi avistada ao largo de Gozo em 6 de junho de 1798. O Grão-Mestre Hompesch convocou um conselho de guerra e mobilizou a milícia maltesa para defender as cidades fortificadas da região do Grande Porto, incluindo Valletta, Floriana, Birgu, Senglea e Cospicua.

Em 9 de junho, Napoleão enviou seu ajudante de campo, Jean-Andoche Junot, para solicitar permissão para que a frota francesa reabastecesse água em Malta. Hompesch, seguindo um antigo estatuto que limitava a entrada de navios de nações cristãs em tempos de hostilidades, permitiu a entrada de apenas quatro navios por vez. Em resposta, Napoleão ditou um ultimato em 10 de junho, expressando sua decepção e alertando sobre a superioridade das forças francesas, instando o Grão-Mestre a evitar hostilidades para preservar a população maltesa.

Desembarques e Resistência Inicial

Na manhã de 10 de junho, as forças francesas desembarcaram em quatro pontos distintos do arquipélago:

  • Baía de São Paulo: Tropas comandadas por Louis Baraguey d'Hilliers capturaram rapidamente as fortificações e a localidade de Mellieħa com baixas mínimas.
  • Marsaxlokk: Uma força liderada por Louis Desaix desembarcou com sucesso no sul de Malta, capturando o Forte Rohan.
  • Outros pontos: Desembarques simultâneos ocorreram em São Julião e na Baía de Ramla, em Gozo.

Embora tenha havido resistência por parte da milícia maltesa e de alguns cavaleiros, a maior parte do arquipélago foi dominada pelos franceses em menos de um dia. Apenas a área fortificada do porto, com a capital Valletta, permaneceu sob controle da Ordem.

Capitulação e Fim do Domínio Hospitalário

Apesar de Valletta possuir defesas capazes de resistir a um cerco prolongado, a situação interna da Ordem era precária. O descontentamento entre os cavaleiros franceses e a população nativa maltesa enfraqueceu a determinação de resistir. Após negociações e a pressão do cerco, a Ordem capitulou, encerrando 268 anos de domínio dos Cavaleiros Hospitalários em Malta.

Consequências e Ocupação Francesa

A conquista resultou na ocupação francesa de Malta, mas a estabilidade foi efêmera. Poucos meses após a invasão, as reformas impostas pelos franceses — que incluíam a expropriação de bens da Igreja e mudanças administrativas — provocaram a ira da população local.

Essa insatisfação evoluiu para um levante popular, resultando em um bloqueio da guarnição francesa por insurgentes malteses, apoiados por forças britânicas, napolitanas e portuguesas. O bloqueio durou dois anos e terminou em 1800, quando os franceses se renderam aos britânicos. Este evento transformou Malta em um protetorado e deu início a 164 anos de domínio britânico sobre a ilha.

Perguntas frequentes

Quem liderou a invasão francesa de Malta?

A invasão foi liderada por Napoleão Bonaparte como parte de sua campanha no Mediterrâneo durante as Guerras Revolucionárias Francesas.

Por que a Ordem de São João não conseguiu resistir?

Apesar das fortes fortificações de Valletta, a Ordem sofria de declínio financeiro, tensões internas entre cavaleiros franceses e a liderança, e a falta de apoio da população maltesa.

Quanto tempo durou a ocupação francesa em Malta?

A ocupação durou aproximadamente dois anos, desde a invasão em junho de 1798 até a rendição da guarnição francesa aos britânicos em 1800.

Qual foi a consequência a longo prazo da invasão francesa?

A invasão provocou a queda dos Cavaleiros Hospitalários e, após a expulsão dos franceses, abriu caminho para o domínio britânico sobre Malta, que durou até 1964.