Organizações Sem Fins Lucrativos

Instituto Geena Davis: Representação e Diversidade na Mídia

Pontos principais

  • Fundado em 2004 por Geena Davis para combater a sub-representação de mulheres na mídia infantil.
  • Desenvolveu softwares de IA como o 'Spellcheck for Bias' para analisar roteiros e identificar estereótipos.
  • Identificou o 'Efeito Scully', onde 63% de mulheres em STEM citaram a personagem Dana Scully como influência.
  • Colabora com grandes estúdios como Disney e Universal para melhorar a diversidade em suas produções.

O Instituto Geena Davis (anteriormente conhecido como Geena Davis Institute on Gender in Media) é uma organização norte-americana sem fins lucrativos com sede em Marina del Rey, Califórnia. Liderada pela presidente e CEO Madeline Di Nonno e presidida por sua fundadora, a atriz Geena Davis, a instituição opera sob a premissa de que a coleta e o compartilhamento de dados objetivos são as ferramentas mais eficazes para promover a representação equitativa na mídia, evitando a cultura de culpabilização dos estúdios.

Histórico e Fundação

O instituto foi fundado em 2004 por Geena Davis. A motivação para a criação da organização surgiu quando a atriz, enquanto cuidava de sua filha pequena, percebeu a disparidade na representação de personagens masculinos e femininos em programas de televisão infantis. A partir dessa observação, Davis estabeleceu o instituto para quantificar essa desigualdade por meio de dados.

Com o tempo, a organização expandiu seu escopo de pesquisa. Embora o foco inicial fosse a igualdade de gênero, o instituto passou a analisar outras dimensões da representação, incluindo identidade de gênero, orientação sexual, deficiência, idade e tipo físico.

Parcerias e Reconhecimentos

Ao longo de sua trajetória, o Instituto Geena Davis estabeleceu diversas colaborações estratégicas:

  • Prêmios de Televisão: Em 2010, em parceria com a Academy of Television Arts & Sciences Foundation, criou um prêmio no âmbito do College Television Awards para reconhecer produções estudantis que demonstrassem diversidade e igualdade de gênero.
  • Campanhas Educativas: Em 2017, colaborou com a Ford Motor Company na série de vídeos #ShesGotDrive, visando desafiar estereótipos em mídias voltadas para crianças.
  • Reconhecimento Institucional: Em 2022, a organização recebeu o Governors Award da Academy of Television Arts & Sciences por seus esforços contínuos na melhoria da representação de gênero no entretenimento.

Pesquisa, Advocacia e Impacto Tecnológico

O instituto publica anualmente pesquisas sobre a representação de diversos grupos sociais. Seus estudos abrangem desde a presença geral de personagens por gênero até levantamentos sobre ocupações e a quantidade de falas atribuídas a cada grupo.

Inovação em Análise de Dados

Para aprimorar a precisão de suas análises, o instituto investiu em tecnologia de reconhecimento:

  • Inclusion Quotient: Lançado em 2012, este software de reconhecimento de vídeo e som utiliza algoritmos para identificar o gênero e o tempo de tela dos personagens. Análises de filmes de 2014 e 2015 revelaram que personagens masculinos apareciam aproximadamente duas vezes mais que as mulheres. Contudo, dados de 2019 indicaram que a representação em programas infantis havia se tornado aproximadamente igual, com as mulheres ligeiramente superando os homens.
  • Spellcheck for Bias: Desenvolvido em parceria com o Signal Analysis and Interpretation Laboratory da Universidade do Sul da Califórnia (USC), este software de inteligência artificial analisa roteiros em busca de estereótipos e escolhas problemáticas relacionadas a gênero, raça, deficiência e orientação sexual. A Disney começou a utilizar a ferramenta em 2019, e o Universal Filmed Entertainment Group a adotou em 2020 para analisar a representação de personagens latinos.

O "Efeito Scully" e STEM

Em 2017, a pedido da 21st Century Fox, o instituto pesquisou o chamado Efeito Scully. O estudo revelou que 63% das mulheres em áreas de STEM (Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática) atribuíram a escolha de suas carreiras à influência da personagem Dana Scully, da série The X-Files. Em 2018, um estudo conjunto com a Lyda Hill Foundation constatou que a representação de homens em carreiras STEM na mídia era quase o dobro da de mulheres, sugerindo que essa disparidade pode desestimular meninas a seguirem essas trajetórias profissionais.

Ações Corporativas e Produções Documentais

O impacto do instituto estende-se ao setor comercial. Em 2021, após analisar pesquisas conduzidas pelo GDI, o The Lego Group (TLG) anunciou mudanças em sua linha de brinquedos para eliminar estereótipos de gênero.

No campo audiovisual, o instituto participou da criação do documentário Nothing Fits (anunciado em 2023), que analisa a interseção entre mídia, indústria da moda e imagem corporal. Além disso, em 2023, foi anunciado que o GDI coproduziria uma adaptação canadense do documentário This Changes Everything.

Perguntas frequentes

O que é o Instituto Geena Davis?

É uma organização sem fins lucrativos sediada na Califórnia que utiliza a coleta de dados e pesquisas para promover a representação equitativa de gênero e diversidade na mídia.

Como o instituto utiliza a tecnologia para analisar a mídia?

O instituto utiliza softwares como o Inclusion Quotient e o Spellcheck for Bias, que empregam algoritmos e inteligência artificial para medir tempo de tela, falas e identificar estereótipos em roteiros.

O que foi o 'Efeito Scully'?

Foi um fenômeno identificado por pesquisa do GDI que demonstrou como a personagem Dana Scully (de The X-Files) inspirou a maioria das mulheres em carreiras de ciência, tecnologia, engenharia e matemática (STEM).

Quais empresas já utilizaram as ferramentas do Instituto Geena Davis?

Estúdios como Disney e Universal Filmed Entertainment Group, além de empresas como The Lego Group, implementaram mudanças baseadas nas pesquisas e ferramentas do instituto.