História e Evolução das Histórias em Quadrinhos no Canadá
Pontos principais
- O Canadá possui duas culturas de quadrinhos distintas: a anglófona (influenciada pelos EUA) e a francófona (influenciada pela tradição franco-belga).
- Os 'Canadian Whites' foram revistas em preto e branco produzidas durante a Segunda Guerra Mundial devido a restrições de importação.
- A BDQ (bande dessinée québécoise) representa a rica tradição de quadrinhos do Quebec, com sucesso internacional recente via autores como Guy Delisle.
- A editora Drawn & Quarterly é um pilar fundamental do movimento de quadrinhos alternativos e artísticos no Canadá.
As histórias em quadrinhos e a arte do cartoon no Canadá são produzidas por cidadãos ou residentes permanentes do país, independentemente de onde residam. Devido ao bilinguismo oficial do Canadá, desenvolveram-se duas culturas distintas de quadrinhos: a de língua inglesa e a de língua francesa. Enquanto a vertente anglófona tende a seguir as tendências do mercado norte-americano, a vertente francófona é fortemente influenciada pelas tradições franco-belgas, havendo pouco intercâmbio entre as duas.
A produção canadense abrange diversos formatos, incluindo cartuns editoriais, tiras de jornal, revistas em quadrinhos, graphic novels e webcomics, sendo distribuída em jornais, revistas, livros e plataformas digitais. O setor conta com o apoio de governos federais e provinciais, incluindo subsídios do Conselho de Artes do Canadá, e possui uma cena vibrante de editoras independentes, autopublicação e minicomics.
A Indústria de Língua Inglesa
No Canadá inglês, é comum que artistas busquem expandir suas carreiras migrando para os Estados Unidos, como ocorreu com Hal Foster e Todd McFarlane. No entanto, desde o final do século XX, um número crescente de autores tem alcançado reconhecimento internacional permanecendo no território canadense.
Os "Canadian Whites" e a Segunda Guerra Mundial
Durante a Segunda Guerra Mundial, restrições comerciais limitaram a importação de revistas dos Estados Unidos, o que impulsionou o sentido de urgência por uma indústria doméstica. Surgiram então os chamados "Canadian Whites", revistas em preto e branco que apresentavam histórias originais de heróis, como Nelvana of the Northern Lights, além de roteiros americanos redesenhados por artistas canadenses. Com o fim da guerra, a reabertura das importações e a implementação de censuras domésticas levaram ao declínio dessa indústria.
A Ascensão do Quadrinho Alternativo
A partir da década de 1970, as comunidades de pequena imprensa e quadrinhos alternativos cresceram significativamente. No final do século XX, autores como Dave Sim, com a obra Cerebus, e Chester Brown ganharam aclamação crítica e público internacional. A editora Drawn & Quarterly consolidou-se como uma das líderes mundiais na publicação de quadrinhos artísticos.
A Tradição Francófona: BDQ
No Canadá francês, as histórias em quadrinhos são conhecidas como BDQ (bande dessinée québécoise). A tradição de cartuns com balões de fala no Quebec remonta ao final do século XVIII.
Historicamente, a BDQ enfrentou dificuldades para competir com as importações estrangeiras devido ao tamanho reduzido do mercado interno. Contudo, a partir da década de 1970, houve um renascimento com a criação de revistas nativas, como Croc e Safarir. Embora representem uma parcela pequena das vendas totais na província, a BDQ ganhou força no século XXI.
Autores como Michel Rabagliati, Guy Delisle e a dupla Dubuc e Delaf alcançaram sucesso internacional, especialmente na Europa francófona. Editoras como Éditions Mille-Îles e La Pastèque tornaram-se referências na publicação doméstica contemporânea.
Desenvolvimento Histórico Inicial
Cartuns Políticos e Primeiras Publicações
Os primeiros exemplos de cartuns políticos no Canadá datam de 1759, com as obras do Brigadeiro-General George Townshend satirizando o General James Wolfe. A regularidade nas publicações começou com a revista Punch in Canada, lançada em Montreal em 1849 por John Henry Walker, inspirada na publicação britânica homônima.
Posteriormente, a Canadian Illustrated News (1869) e a revista de humor Grip (1873), fundada por John Wilson Bengough, tornaram-se influentes. Bengough utilizou seus cartuns para criticar figuras políticas como o Primeiro-Ministro John A. Macdonald e o líder Métis Louis Riel. Enquanto Bengough foi a figura mais influente do período pré-século XX, Henri Julien é frequentemente citado como o artista mais talentoso, tendo trabalhado no Montreal Star como o primeiro cartunista de jornal em tempo integral no país.
Contribuições de Expatriados
Palmer Cox, um canadense radicado nos Estados Unidos, criou The Brownies, um fenômeno comercial cujos livros venderam milhões de cópias. Cox iniciou uma tira de quadrinhos em 1898, sendo um dos primeiros exemplos de tiras em língua inglesa a utilizar balões de fala de forma consistente até 1907.
Perguntas frequentes
O que eram os 'Canadian Whites'?
Eram revistas em quadrinhos produzidas no Canadá durante a Segunda Guerra Mundial. Devido a restrições de importação de materiais dos EUA, a indústria doméstica floresceu, criando heróis originais e redesenhando roteiros americanos em preto e branco.
Qual a diferença entre a cultura de quadrinhos inglesa e francesa no Canadá?
A cultura de língua inglesa tende a seguir as tendências do mercado norte-americano (EUA), enquanto a cultura de língua francesa (BDQ) segue a tradição franco-belga de álbuns e arte sequencial.
Quem foi John Wilson Bengough?
Foi o fundador da revista de humor 'Grip' em 1873 e um dos cartunistas políticos mais influentes do Canadá antes do século XX, conhecido por suas críticas ao governo e a figuras públicas.
O que é a BDQ?
BDQ é a sigla para 'bande dessinée québécoise', referindo-se às histórias em quadrinhos produzidas no Quebec e no Canadá francês.