História da Publicação The London Magazine
Pontos principais
- É considerada a revista literária mais antiga da Inglaterra.
- Ao longo de sua história, foi composta por seis publicações distintas que utilizaram o mesmo título.
- Publicou obras fundamentais de autores como Joseph Conrad (Coração das Trevas) e George Orwell.
- Teve a colaboração de diversos vencedores do Prêmio Nobel de Literatura.
The London Magazine é o título compartilhado por seis publicações distintas que surgiram sucessivamente desde 1732. Com foco consistente nas artes, literatura e poesia, a revista é reconhecida como o periódico literário mais antigo da Inglaterra. Ao longo de suas diversas fases, publicou obras de diversos laureados com o Prêmio Nobel, incluindo Annie Ernaux, Albert Camus, Doris Lessing e Nadine Gordimer.
A Primeira Fase (1732–1785)
Fundada em 1732 sob o nome The London Magazine, or, Gentleman's Monthly Intelligencer, a publicação nasceu em um contexto de rivalidade e oposição política ao Gentleman's Magazine, que apoiava os Torys. Esta primeira iteração operou por 53 anos, encerrando suas atividades em 1785. Entre seus editores notáveis estiveram Isaac Kimber e seu filho Edward Kimber, que assumiu a redação em 1755, além de Henry Mayo, que editou a revista entre 1775 e 1783. Thomas Astley figurou como um de seus editores.
O Renascimento Romântico (1820–1829)
Em 1820, a revista foi relançada pelos editores Baldwin, Craddock & Joy, sob a direção de John Scott. Scott modelou a publicação seguindo a linha do Blackwood's Magazine, de Edimburgo. Este período foi marcado pela publicação de poemas de figuras centrais do Romantismo, como William Wordsworth, Percy Bysshe Shelley, John Keats e John Clare.
Um marco editorial desta fase foi a publicação, em setembro de 1821, das duas primeiras partes de Confissões de um Inglês Comedor de Ópio, de Thomas De Quincey. No entanto, o período foi marcado por conflitos intensos; John Scott envolveu-se em disputas literárias com escritores do Blackwood's Magazine, especialmente John Gibson Lockhart, a respeito da chamada "Escola Cockney" (grupo que incluía Leigh Hunt e John Keats). Essas tensões culminaram em um duelo fatal em 1821 entre Scott e J. H. Christie, colega de Lockhart, resultando na morte de Scott.
A revista continuou sob a edição de John Taylor, contando com colaboradores como William Hazlitt, Thomas Hood e Charles Lamb. Foi nesta época que Lamb publicou a primeira série de seus Essays of Elia (1820). Contudo, a interferência excessiva de Taylor nos textos dos colaboradores levou à saída de autores como Lamb e Hazlitt, e a revista encerrou suas atividades em 1829.
Breves Iterações no Século XIX (1840 e 1875–1879)
Em 1840, a Simpkin, Marshall and Co. publicou uma versão intitulada The London Magazine, Charivari, and Courrier des Dames, editada por Richard Fennell. Esta versão apresentava-se como eclética, descrevendo-se como um "Proteu na política, um camaleão na literatura e uma borboleta no mundo do Bon Ton".
O título foi revivido novamente em novembro de 1875 por Will Williams. Esta fase foi descrita como um "jornal de sociedade", com características mais próximas das publicações parisienses do que londrinas. Um ponto de virada ocorreu em 15 de dezembro de 1877, quando William Ernest Henley assumiu a editoria. Henley contribuiu anonimamente com diversos poemas, muitos nos moldes do antigo francês. Este período também registrou as primeiras obras de ficção de Robert Louis Stevenson, posteriormente reunidas no volume New Arabian Nights. Esta fase encerrou-se em abril de 1879.
A Era de Harmsworth e a Modernidade (1898–1933)
Em 1901, o The Harmsworth Magazine foi relançado como The London Magazine por Cecil Harmsworth, proprietário do Daily Mail, sob a edição de Henry Beckles Willson. A Amalgamated Press manteve a publicação até 1930, quando ela foi renomeada como New London Magazine. Esta fase é considerada um importante registro dos gostos literários populares dos períodos vitoriano tardio e eduardiano.
Entre as contribuições notáveis deste período estão a serialização do romance Coração das Trevas, de Joseph Conrad, entre fevereiro e abril de 1899, e o ensaio A Hanging, de George Orwell, publicado em agosto de 1931. A revista encerrou suas atividades em 1933.
A Publicação Contemporânea (1954–Presente)
Em 1954, surgiu uma nova versão de The London Magazine editada por John Lehmann, que manteve a tradição de sua publicação anterior, New Writing. A revista recebeu o apoio de T. S. Eliot, que a via como um periódico independente de universidades capaz de atrair um público interessado em literatura séria.
A publicação contou com a colaboração de escritores icônicos como Gabriel García Márquez, Sylvia Plath, Susan Sontag, Eugene Ionesco e Hilary Mantel. Em 1961, a editoria passou para Alan Ross, que permaneceu no cargo até sua morte em 2001, com a revista sendo publicada pela Chatto & Windus durante as gestões de Lehmann e Ross.
Em 2001, Christopher Arkell relançou a revista, nomeando Sebastian Barker como editor até 2008, seguido por Sara-Mae Tuson. Em julho de 2009, Arkell vendeu a publicação para Burhan Al-Chalabi. Atualmente, a revista é publicada seis vezes por ano, focando tanto em escritores emergentes quanto em autores estabelecidos de todo o mundo.
Perguntas frequentes
O que é The London Magazine?
É o título de seis publicações literárias sucessivas que surgiram desde 1732, focando em artes, literatura e poesia, sendo a revista literária mais antiga da Inglaterra.
Quais autores famosos publicaram na revista?
A revista publicou obras de autores como William Wordsworth, John Keats, Joseph Conrad, George Orwell, Gabriel García Márquez e Sylvia Plath, além de vários laureados com o Nobel.
Por que a primeira versão da revista fechou?
A primeira fase (1732-1785) encerrou-se após 53 anos de operação, tendo sido fundada originalmente em oposição política ao Gentleman's Magazine.
Qual a frequência de publicação atual da revista?
Atualmente, a revista é publicada seis vezes por ano, focando em novos e estabelecidos talentos literários globais.