Fraude Acadêmica por Contratação
Pontos principais
- O termo 'contract cheating' foi criado em 2006 para incluir fraudes em disciplinas não textuais, como programação.
- Estudos indicam que a prevalência da fraude varia entre 3,5% e 11,4%, dependendo do método de pesquisa.
- A Austrália é um dos países pioneiros no combate legal, bloqueando sites de fraude acadêmica nacionalmente desde 2022.
- Disciplinas como Administração, Engenharia e Ciências da Saúde apresentam as maiores taxas de incidência.
A fraude acadêmica por contratação (do inglês contract cheating) é uma forma de desonestidade acadêmica na qual estudantes pagam terceiros para realizar seus trabalhos escolares ou acadêmicos. Diferente do plágio tradicional, onde se copia material existente, nesta modalidade o trabalho é encomendado e produzido especificamente para o aluno, tornando-o mais difícil de detectar por softwares de similaridade textual.
Origem do Termo e Conceito
O termo foi cunhado em 2006 por Thomas Lancaster e Robert Clarke. A necessidade de uma nova nomenclatura surgiu quando esses pesquisadores, ambos cientistas da computação, observaram que estudantes estavam terceirizando sistematicamente tarefas de programação e codificação. Termos anteriores, como "fábricas de redações" (essay mills) ou "fábricas de trabalhos" (term paper mills), eram limitados a produções textuais. O conceito de contract cheating foi criado para abranger qualquer trabalho acadêmico terceirizado, independentemente da disciplina ou do formato da entrega.
Extensão e Prevalência
A escala da fraude por contratação tem sido objeto de diversos estudos globais, com resultados que variam conforme a metodologia de coleta de dados:
- Estudos Iniciais: Pesquisas de Lancaster e Clarke identificaram que mais de 12% das postagens em sites de terceirização de trabalho de computação eram, na verdade, solicitações de estudantes. Além disso, a existência de agências que subcontratavam múltiplos trabalhos sugeria a operação de redes organizadas de fraude.
- Análises Estatísticas: Uma meta-análise de 2017 envolvendo 1.378 estudantes indicou que 3,5% admitiram ter comprado trabalhos. Out mesmo valor (3,5%) foi encontrado em uma revisão sistemática de 65 estudos realizados entre 1978 e 2016.
- Dados Regionais e Metodológicos: No contexto australiano, um estudo com mais de 14.000 alunos revelou que 5,8% engajaram-se em comportamentos de fraude por contratação, sendo que 2,2% submeteram avaliações inteiramente feitas por terceiros. No entanto, pesquisas de 2021 sugerem que pesquisas anônimas subestimam o problema; utilizando métodos de incentivo à verdade, a taxa de compra de trabalhos customizados subiu para 7,9%, enquanto 11,4% admitiram usar arquivos de sites de compartilhamento.
Disciplinas Mais Suscetíveis
Embora haja debate acadêmico, há um consenso entre especialistas como Curtis & Clare, Bretag, Lancaster & Clarke e Eaton de que as áreas com maior incidência de fraude por contratação incluem:
- Administração e Negócios
- Engenharia
- Ciências (incluindo pré-medicina e ciências da saúde)
- Humanidades
- Educação
Impacto da Pandemia de COVID-19
Em 2020, a transição forçada para o ensino remoto devido à pandemia de COVID-19 exacerbou a vulnerabilidade das instituições. A migração de exames e avaliações presenciais (vigilados) para formatos online, sem a mesma rigidez de monitoramento, abriu novas oportunidades para a contratação de terceiros para a realização de provas em tempo real via internet.
Prevenção e Detecção
Estratégias de Prevenção
A prevenção foca principalmente no design da avaliação. A criação de avaliações individualizadas, que exijam reflexões pessoais ou contextos específicos do aluno, tem se mostrado eficaz para desencorajar a terceirização. Além disso, medidas administrativas têm sido adotadas, como o bloqueio de acesso a sites de empresas de fraude acadêmica em redes de campus. Na Austrália, desde agosto de 2022, o governo implementou o bloqueio nacional de acesso a esses sites.
Métodos de Detecção
A detecção de contract cheating é mais complexa que a do plágio, pois o conteúdo é original (embora não seja do aluno). As abordagens incluem:
- Análise de Estilo: Identificação de discrepâncias entre a qualidade do trabalho entregue e o desempenho prévio do aluno ou sua capacidade de comunicação oral.
- Treinamento de Docentes: Pesquisas indicam que a capacitação de corretores para identificar padrões típicos de serviços de redação é fundamental.
- Processos Sistemáticos: Modelos de detecção em seis etapas, como o proposto por Lancaster e Clarke em 2007, auxiliam tutores a investigar suspeitas de forma estruturada.
Embora as empresas de fraude aleguem que seus serviços são indetectáveis, evidências empíricas refutam essa afirmação, demonstrando que educadores treinados conseguem identificar a autoria terceirizada com eficácia.
Perguntas frequentes
O que diferencia o contract cheating do plágio comum?
O plágio envolve a cópia de obras já existentes. O contract cheating ocorre quando um aluno contrata alguém para criar um trabalho original e inédito especificamente para ele, tornando a detecção por softwares de plágio ineficaz.
Quais são as áreas acadêmicas mais afetadas?
As áreas de Negócios, Engenharia, Ciências da Saúde, Humanidades e Educação são frequentemente citadas por pesquisadores como as de maior incidência.
Como as universidades podem prevenir essa prática?
Através do design de avaliações individualizadas e do bloqueio de acesso a sites de serviços de redação nas redes institucionais.
É possível detectar um trabalho feito por terceiros?
Sim. Embora seja mais difícil que o plágio, educadores treinados podem detectar discrepâncias de estilo, vocabulário e conhecimento técnico que não condizem com o perfil do aluno.