Esplendor do Fin-de-Siècle: A Modernidade na Ficção da Dinastia Qing
Pontos principais
- Publicado em 1997 pela Stanford University Press.
- Propõe que a modernidade literária chinesa começou em 1849, e não após 1912.
- Analisa quatro gêneros: cavalheirescos/judiciais, cortesãs, exposição e fantasia científica.
- Introduz o conceito de 'modernidades reprimidas' para descrever inovações literárias ignoradas.
Fin-de-Siècle Splendor: Repressed Modernities of Late Qing Fiction, 1848-1911 é uma obra de não ficção publicada em 1997 por David Der-Wei Wang e editada pela Stanford University Press. O livro propõe a tese de que a modernidade já se manifestava na ficção publicada durante o final da Dinastia Qing, especificamente a partir de 1849 — período coincidente com o início da Rebelião Taiping —, contestando a visão tradicional de que a modernidade literária chinesa teria surgido apenas após a queda da dinastia em 1912.
A obra é reconhecida como o primeiro livro de extensão completa, escrito por um único autor em língua inglesa, a realizar um levantamento abrangente da ficção do final da Dinastia Qing. O acadêmico Robert Hegel, da Washington University em St. Louis, descreveu o estudo como "revisionista de primeira ordem", destacando que Wang foca em obras frequentemente desprezadas como decadentes ou atrasadas para argumentar que existiam múltiplas formas literárias inovadoras no período pós-Taiping, que não se limitavam a mimetizar modelos ocidentais.
Contexto e Conceitos
O título Fin-de-Siècle Splendor refere-se a um fenômeno de renovação social concomitante à decadência e à perda de valores tradicionais, processo que Wang identifica tanto na sociedade literária chinesa quanto na europeia da época. Na época da publicação, Wang atuava como professor de literatura chinesa na Columbia University.
Um ponto central de divergência acadêmica abordado na obra é a cronologia do "final da Dinastia Qing". Enquanto o consenso acadêmico do final da década de 1990 situava o início desse período em 1890 (marcado pelos impactos da Primeira Guerra Sino-Japonesa), Wang antecipa esse marco para 1849. Theodore Huters, da UCLA, afirmou que essa expansão do escopo temporal enriquece a compreensão do mundo da ficção da era Qing.
Análise de Gêneros Literários
O livro analisa mais de sessenta obras, incluindo aproximadamente vinte romances, dividindo a ficção do final da Dinastia Qing em quatro gêneros principais, argumentando que estes foram historicamente negligenciados por historiadores e críticos:
- Cavalheirescos e de Casos Judiciais: Uma combinação de narrativas sobre juízes e obras focadas em indivíduos heroicos que buscam a justiça (xiáyì).
- Romances de Cortesãs: Obras com temas eróticos e sentimentais.
- Romances de Exposição: Narrativas que documentam as dificuldades de residentes urbanos pobres e criticam a estrutura social (denominadas qiǎnzé xiǎoshuō por Lu Xun).
- Fantasia Científica: Uma classificação original de Wang (kēxué xiǎoshuō), que combina a tradição chinesa de contos fantásticos (zhiguai) com a ficção científica ocidental.
Wang utilizou algumas categorizações propostas por Lu Xun, embora tenha adaptado a nomenclatura para o contexto de sua análise. Parte do conteúdo da obra deriva de seu livro anterior em chinês, Xiǎoshuō Zhōngguó (1993), que tratava da evolução do romance chinês do final da Dinastia Qing até a era contemporânea.
A Tese das "Modernidades Reprimidas"
Na introdução da obra, Wang desenvolve o conceito de "modernidades reprimidas". Ele define a modernidade não como um desenvolvimento linear em direção a algo "mais avançado", mas como um fenômeno novo e inovador que combina possibilidades inéditas. Para Wang, as obras do final da Dinastia Qing são modernas porque introduziram novos tipos de personagens, ideologias, formatos narrativos, situações e temas, mesmo que essas inovações tenham sido posteriormente eclipsadas ou ignoradas pelas narrativas do Movimento de Quatro de Maio.
Perguntas frequentes
Qual é a tese principal de 'Fin-de-Siècle Splendor'?
A tese de David Der-Wei Wang é que a modernidade já estava presente na ficção chinesa do final da Dinastia Qing (a partir de 1849), contrariando a ideia de que ela surgiu apenas após a queda da dinastia em 1912.
O que Wang define como 'fantasia científica' no livro?
É a fusão entre a tradição chinesa de contos fantásticos (zhiguai) e a ficção científica ocidental, sendo uma categoria original proposta pelo autor.
Como Wang define modernidade?
Wang define modernidade como um fenômeno novo e inovador que combina novas possibilidades, rejeitando a ideia de que a modernidade seja um progresso linear para algo mais avançado.