Escalas de Magnitude Sísmica
Pontos principais
- A magnitude mede a energia liberada na fonte do terremoto, enquanto a intensidade mede os efeitos observados em locais específicos.
- As escalas de magnitude são logarítmicas; um aumento de 1 unidade na magnitude equivale a aproximadamente 32 vezes mais energia liberada.
- A escala Richter é, tecnicamente, a Escala de Magnitude Local (ML) e possui limitações para medir sismos profundos ou muito distantes.
- A saturação ocorre quando uma escala de magnitude não consegue mais registrar aumentos de energia em terremotos de grande magnitude.
As escalas de magnitude sísmica são ferramentas fundamentais na sismologia utilizadas para descrever a força total ou o "tamanho" de um terremoto. É crucial distinguir a magnitude da intensidade sísmica: enquanto a magnitude mede a energia liberada na fonte do sismo, a intensidade categoriza a severidade do tremor do solo em locais específicos.
A magnitude é geralmente determinada a partir de medições das ondas sísmicas registradas em um sismograma. A escolha da escala varia conforme o aspecto da onda medido, a disponibilidade de dados e a finalidade da análise.
Magnitude vs. Intensidade do Tremor do Solo
A crosta terrestre é submetida a tensões por forças tectônicas. Quando essa tensão supera a resistência da rocha ou a fricção entre blocos crustais, ocorre uma ruptura, liberando energia na forma de ondas sísmicas que causam a vibração do solo.

A magnitude é uma estimativa do tamanho relativo do terremoto e está diretamente relacionada à energia sísmica liberada. Já a intensidade refere-se à força do tremor em um ponto geográfico específico, podendo ser relacionada à velocidade máxima do solo.
A intensidade local depende de diversos fatores além da magnitude, sendo a composição do solo um dos mais influentes. Camadas espessas de solo macio podem amplificar as ondas sísmicas, enquanto bacias sedimentares podem ressonar, prolongando a duração do tremor. Um exemplo notável ocorreu no terremoto de Loma Prieta em 1989, onde o distrito de Marina, em São Francisco, sofreu danos severos apesar de estar a quase 100 km do epicentro, devido a condições geológicas locais.
Funcionamento das Escalas de Magnitude
Um terremoto irradia energia através de diferentes tipos de ondas sísmicas, cujas características revelam a natureza da ruptura e a composição da crosta atravessada. Para determinar a magnitude, os sismólogos identificam ondas específicas no sismograma e medem características como amplitude, frequência, duração e orientação.

A maioria das escalas de magnitude utiliza a base logarítmica, conceito introduzido por Charles Richter. Isso significa que cada unidade de aumento na escala representa um aumento de dez vezes na amplitude das ondas sísmicas. Como a energia é proporcional à amplitude elevada a 1,5, cada unidade de magnitude corresponde a um aumento de aproximadamente 32 vezes na energia liberada.
Um fenômeno comum em várias escalas é a saturação, que ocorre quando a escala deixa de ser sensível a aumentos de magnitude em terremotos extremamente fortes, resultando em subestimações sistemáticas do tamanho do evento.
A Escala Richter (Magnitude Local - ML)
Desenvolvida em 1935 por Charles F. Richter, a escala popularmente conhecida como "Richter" é tecnicamente a Escala de Magnitude Local (ML). Ela estabeleceu dois pilares para as medições sísmicas:
- Natureza Logarítmica: Cada unidade representa um aumento decimal na amplitude da onda.
- Ponto Zero: Definido arbitrariamente como um terremoto a 100 km de distância que produz um deslocamento horizontal máximo de 0,001 mm em um sismógrafo de torção Wood-Anderson.
A magnitude local (ML) baseia-se na amplitude máxima do tremor sem distinguir os tipos de ondas. Por essa razão, ela tende a subestimar a força de terremotos distantes (acima de 600 km) devido à atenuação das ondas S, bem como terremotos profundos, onde as ondas de superfície são menores.

Perguntas frequentes
Qual a diferença entre magnitude e intensidade?
A magnitude é um valor único que mede a energia total liberada pelo terremoto na sua origem. A intensidade varia dependendo da localização, sendo influenciada pela distância do epicentro e pelas condições do solo local.
Por que a escala Richter é logarítmica?
Porque a variação de energia entre o menor tremor detectável e o maior terremoto registrado é imensa. A escala logarítmica permite representar esses valores em números manejáveis (ex: de 1 a 9) em vez de usar números com muitos zeros.
O que é a saturação de magnitude?
É a limitação de certas escalas que, ao atingirem um determinado valor, não conseguem mais diferenciar terremotos ainda mais fortes, resultando em uma leitura constante mesmo que a energia liberada seja maior.