Declaração de Savoy
Pontos principais
- Elaborada em outubro de 1658 por congregacionalistas e independentes no Hospital de Savoy, Londres.
- Utilizou a Confissão de Fé de Westminster como base doutrinária, mas alterou a seção de governo eclesiástico para defender a autonomia local.
- Incluiu a 'obediência ativa de Cristo' na doutrina da justificação e adicionou um capítulo sobre a extensão da graça do Evangelho.
- A Plataforma de Disciplina, composta por 30 artigos, define a organização e a disciplina das igrejas congregacionais.
A Declaração de Savoy, cujo título completo é A Declaration of the Faith and Order owned and practised in the Congregational Churches in England, é uma confissão de fé fundamental do congregacionalismo. Elaborada em outubro de 1658, o documento foi redigido por independentes e congregacionalistas ingleses reunidos no Hospital de Savoy, em Londres.
A estrutura da declaração é dividida em três partes principais: um prefácio, uma confissão de fé e uma plataforma de disciplina.
A Assembleia de Savoy
A Assembleia de Savoy ocorreu entre 12 e 23 de outubro de 1658. O encontro reuniu representantes de mais de cem igrejas independentes, a maioria composta por leigos. A redação do documento foi liderada por um comitê de seis teólogos, com destaque para John Owen e Thomas Goodwin. Goodwin, que também havia participado da Assembleia de Westminster, buscou integrar as melhores definições doutrinárias da época ao novo texto.
Na elaboração da Declaração, os autores utilizaram a Confissão de Fé de Westminster (1647) como modelo básico, mas foram influenciados pela Cambridge Platform, o documento que definia o governo eclesiástico das igrejas congregacionais na Nova Inglaterra.
A Confissão de Fé
A Declaração de Savoy foi concebida como uma revisão da Confissão de Westminster, visando atualizar e refinar seus pontos. A maior parte das definições doutrinárias de Westminster foi adotada com poucas alterações, o que serviu para confirmar a teologia reformada entre os congregacionalistas.
As principais modificações incluíram:
- Governo Eclesiástico: Os capítulos 30 e 31 da Confissão de Westminster foram substituídos para afirmar a autonomia das igrejas locais, rejeitando a estrutura presbiteriana em favor da governança congregacional.
- O Evangelho: Foi adicionado um novo capítulo intitulado Of the Gospel, and of the Extent of the Grace Thereof (Do Evangelho e da Extensão de sua Graça).
- Justificação: No capítulo 11, relativo à Justificação, foi explicitamente incluída a menção à "obediência ativa de Cristo", detalhe teológico necessário para a precisão da doutrina de salvação defendida pelo grupo.
Devido à sua solidez teológica, a Declaração foi posteriormente adotada pelo Sínodo Reformador na Nova Inglaterra colonial em 1680.
Plataforma de Disciplina

Formalmente intitulada Of the Institution of Churches, and the Order appointed in them by Jesus Christ, a Plataforma de Disciplina consiste em 30 artigos. Este documento estabelece os princípios fundamentais da polidade (governo) da Igreja Congregacional.
Diferente da Confissão de Fé, a Plataforma de Disciplina não foi uma revisão de textos anteriores, mas um documento original. Ela não derivou nem da Cambridge Platform nem da Forma de Governo Presbiteriano da Assembleia de Westminster, embora os redatores de Savoy tivessem participado de ambos os processos.
Perguntas frequentes
O que é a Declaração de Savoy?
É uma confissão de fé congregacionalista escrita em 1658 que define a fé e a ordem das igrejas independentes na Inglaterra.
Qual a relação entre a Declaração de Savoy e a Confissão de Westminster?
A Declaração de Savoy usou a Confissão de Westminster como modelo, mantendo a maior parte de sua teologia, mas alterando a parte relativa ao governo da igreja para refletir a visão congregacionalista.
O que a Plataforma de Disciplina estabelece?
A Plataforma de Disciplina define os princípios de governo e a organização interna das igrejas congregacionais, consistindo em 30 artigos independentes.
Quem foram os principais líderes da Assembleia de Savoy?
Os principais líderes foram os teólogos John Owen e Thomas Goodwin, que coordenaram o comitê responsável pela redação do texto.