Câncer Gástrico: Causas, Sintomas e Tratamentos
Pontos principais
- A bactéria Helicobacter pylori está associada a mais de 60% dos casos de câncer gástrico.
- O adenocarcinoma é o tipo mais comum de câncer de estômago.
- O diagnóstico precoce via endoscopia e biópsia aumenta significativamente as chances de cura.
- A incidência é maior em homens e em populações do Leste Asiático.
O câncer gástrico, comumente conhecido como câncer de estômago, é uma neoplasia maligna que se desenvolve nas células do revestimento interno do estômago. A maioria dos casos é classificada como carcinomas gástricos, sendo o adenocarcinoma o subtipo mais frequente. No entanto, outras formas, como linfomas e tumores mesenquimais, também podem ocorrer neste órgão.

Sintomas e Sinais Clínicos
O câncer de estômago é frequentemente assintomático em seus estágios iniciais ou apresenta sintomas inespecíficos, o que contribui para que muitos diagnósticos ocorram apenas em fases avançadas, quando a doença já pode ter metastatizado para órgãos como fígado, pulmões, ossos e linfonodos.
Sintomas Iniciais
Nos estágios precoces, o paciente pode apresentar:
- Azia e indigestão;
- Náuseas leves;
- Perda de apetite;
- Desconforto ou dor na parte superior do abdômen.
Sintomas Avançados
À medida que o tumor cresce e invade tecidos adjacentes, os sinais tornam-se mais evidentes:
- Perda de peso inexplicável: Redução significativa de massa corporal sem causa aparente;
- Sangramentos: Vômitos com sangue ou presença de sangue nas fezes (melena), que podem levar à anemia;
- Disfagia: Dificuldade para engolir, sugerindo que o tumor está localizado na cárdia ou se estendeu para o esôfago;
- Icterícia: Amarelamento da pele e do branco dos olhos, indicando possível comprometimento hepático;
- Saciedade precoce: Sensação de estômago cheio logo após o início da refeição.


Fatores de Risco
O desenvolvimento do câncer gástrico está associado a uma combinação de fatores genéticos, ambientais e infecciosos.
Infecções e Microbiota
A bactéria Helicobacter pylori é o principal fator de risco, estando presente em mais de 60% dos casos. A infecção crônica por H. pylori promove a inflamação da mucosa gástrica, podendo evoluir para atrofia e metaplasia intestinal, precedendo a malignidade. Evidências sugerem que o tratamento precoce desta bactéria reduz o risco futuro de câncer.
Estilo de Vida e Dieta
- Tabagismo: O cigarro aumenta significativamente o risco, com fumantes pesados apresentando um risco consideravelmente maior de desenvolver a doença.
- Alimentação: Dietas ricas em alimentos salgados, defumados e vegetais em conserva (comuns em algumas regiões da Ásia) estão ligadas a maiores taxas de incidência. Por outro lado, a dieta mediterrânea é associada a um menor risco.
- Obesidade: O excesso de peso é listado como um fator contribuinte para a progressão da doença.
Genética e Demografia
Cerca de 10% dos casos possuem componente familiar, e entre 1% e 3% são causados por síndromes genéticas hereditárias, como o câncer gástrico difuso hereditário. Estatisticamente, a doença é duas vezes mais comum em homens do que em mulheres.
Diagnóstico e Tratamento
O diagnóstico definitivo é realizado através de biópsia durante a endoscopia digestiva alta. Após a confirmação, exames de imagem (como tomografia computadorizada) são utilizados para o estadiamento, determinando se o câncer se espalhou para outros órgãos.
Opções Terapêuticas
O tratamento depende do estágio da doença e do tipo histológico do tumor:
- Cirurgia: Remoção parcial (gastrectomia parcial) ou total (gastrectomia total) do estômago.
- Quimioterapia e Radioterapia: Utilizadas para reduzir o tamanho do tumor antes da cirurgia (neoadjuvante) ou eliminar células remanescentes após a operação (adjuvante).
- Terapia Alvo e Imunoterapia: Opções modernas para subtipos específicos de câncer gástrico, focando em biomarcadores moleculares.
- Cuidados Paliativos: Indicados para casos avançados onde a cura não é mais possível, focando na qualidade de vida e controle de sintomas.
Em países como Japão e Coreia do Sul, a implementação de programas de rastreamento populacional resultou em taxas de sobrevivência de cinco anos superiores a 65-70%, contrastando com a realidade de países ocidentais, onde a maioria dos pacientes é diagnosticada em estágio avançado.
Perguntas frequentes
Quais são os primeiros sinais de câncer de estômago?
Os sinais iniciais costumam ser inespecíficos, como azia, indigestão, náuseas, perda de apetite e desconforto na parte superior do abdômen.
A bactéria H. pylori sempre causa câncer?
Não. Embora a H. pylori seja um fator de risco essencial em grande parte dos casos, apenas cerca de 2% das pessoas infectadas desenvolvem câncer gástrico.
Qual a diferença entre câncer gástrico e adenocarcinoma?
Câncer gástrico é o termo geral para qualquer tumor maligno no estômago. O adenocarcinoma é um tipo específico de câncer gástrico que se origina nas células glandulares da mucosa do estômago.
O câncer de estômago tem cura?
Sim, se for detectado e tratado precocemente, o câncer gástrico pode ser curado. O tratamento geralmente envolve cirurgia e, em alguns casos, quimioterapia.
Quais alimentos aumentam o risco de câncer de estômago?
Alimentos excessivamente salgados, defumados e vegetais em conserva estão associados a um um maior risco, especialmente em regiões onde a preservação por sal era comum.