Brigada Venceremos
Pontos principais
- Fundada em 1969 por membros do SDS e oficiais cubanos para apoiar a Revolução Cubana.
- Promoveu a vinda de milhares de ativistas dos EUA para trabalhar na colheita de cana-de-açúcar (zafra) em Cuba.
- Enfrentou crises internas devido à homofobia institucionalizada em Cuba e ao banimento de membros LGBT em 1970.
- Deu origem à Brigada Antonio Maceo, focada em cubano-americanos progressistas.
A Brigada Venceremos é uma organização internacional fundada em 1969, originada de uma coalizão entre membros do Students for a Democratic Society (SDS) e autoridades da República de Cuba. O grupo foi estabelecido com o objetivo de manifestar solidariedade à Revolução Cubana, promovendo a cooperação entre jovens ativistas norte-americanos e trabalhadores cubanos, além de contestar as políticas dos Estados Unidos em relação à ilha, especificamente o embargo econômico.
Desde a sua fundação, a organização promove viagens anuais a Cuba. Até 2010, estima-se que mais de 9.000 pessoas tenham participado dessas brigadas. Atualmente, as atividades são coordenadas em conjunto com as caravanas de amizade da organização Pastors For Peace. Em julho de 2017, a 48ª Brigada realizou sua viagem programada a Cuba.
Histórico e Fundação
A Primeira Visita e o Contexto da Nova Esquerda
A Revolução Cubana de 1959 serviu como um catalisador para a Nova Esquerda nos Estados Unidos durante a década de 1960. Para muitos ativistas radicais da época, Cuba era vista como um exemplo de país do terceiro mundo anti-imperialista e revolucionário.
Em 1969, delegados do SDS viajaram a Havana e foram influenciados por um discurso de Ano Novo de Fidel Castro, no qual o líder cubano convocou a população a auxiliar na colheita do açúcar. Embora os americanos tenham inicialmente oferecido ajuda em postos industriais, Castro teria respondido que, para ajudar, os norte-americanos deveriam cortar a cana-de-açúcar.
A ideia de organizar viagens de ativistas para trabalhar no campo foi proposta inicialmente por Carl Oglesby, mas a execução ficou a cargo de Julie Nichamin e Brian Murphy, nomeados por Bernardine Dohrn, com a colaboração de Allen Young e de membros do governo cubano, como Carlos Rafael Rodríguez. A Brigada Venceremos (do espanhol "venceremos") foi concebida para reunir diversos movimentos radicais dos EUA, incluindo ativistas anti-guerra e defensores do Black Power.
Em novembro de 1969, a primeira brigada, composta por 216 americanos, viajou para Cuba via Cidade do México para evitar as restrições de viagem impostas pelo governo dos Estados Unidos. O objetivo era contribuir para a zafra (colheita) de dez milhões de toneladas de 1970 e comemorar o décimo aniversário da Revolução Cubana. Apesar de a meta de produção de açúcar não ter sido atingida, as viagens anuais tornaram-se recorrentes.
Controvérsias Internas e Críticas
Questões de Gênero e Desilusão Política
Desde a primeira viagem em 1969, surgiram tensões internas. Mulheres participantes relataram que a sociedade cubana era profundamente sexista, contrastando com o radicalismo feminista esperado por elas. Alguns participantes, como Michael Kazin, inicialmente descreveram a experiência como fascinante, mas posteriormente revisaram sua visão ao observar a forte presença militar e a influência soviética na sociedade cubana.
Regina Anavy, membro não insurgente do Weather Underground, relatou em sua viagem de 1971 ter ficado desiludida com o caráter militarista da sociedade cubana e com seu próprio radicalismo.
Homofobia e a Questão LGBT
Um dos pontos mais críticos da organização foi a questão da homofobia institucionalizada em Cuba e a existência dos campos de reeducação UMAP. Em 1970, a Brigada Venceremos respondeu a essas tensões banindo oficialmente membros LGBT, classificando a homossexualidade como uma "patologia social que reflete uma decadência burguesa remanescente". Allen Young, um dos organizadores, deixou a organização após esse episódio e passou a documentar a opressão LGBT em Cuba.
A Brigada Antonio Maceo
Inspirada no modelo da Brigada Venceremos, foi criada a Brigada Antonio Maceo, voltada para radicais cubano-americanos. A primeira viagem ocorreu em 1977. Muitos participantes eram motivados a provar que não eram "gusanos" (termo pejorativo usado para descrever contrarrevolucionários).
Inicialmente, a Brigada Venceremos recusava a entrada de exilados cubanos, sob a premissa de que pertenciam à classe média contrarrevolucionária. Para ingressar na Brigada Antonio Maceo, os candidatos precisavam atender a três critérios: ter deixado Cuba por decisão familiar, não ter participado de atividades contrarrevolucionárias e definir-se como opositor ao bloqueio econômico.
Ideologia e Composição
Os participantes, conhecidos como brigadistas, eram predominantemente ativistas americanos atraídos pelo socialismo, pelo movimento anti-imperialista e pela cultura cubana. O grupo era diversificado, incluindo brancos, negros, chicanos, nativos americanos e porto-riquenhos, além de feministas.
A filosofia da Nova Esquerda permeava o movimento, e os brigadistas buscavam estudar a cultura revolucionária e o conceito de "homem novo" proposto por Che Guevara. O grupo tentava criar uma cultura política revolucionária, invocando a história de movimentos antirracistas e anticoloniais, bem como as lutas por direitos civis nos Estados Unidos.
Perguntas frequentes
O que era a Brigada Venceremos?
Foi uma organização internacional fundada em 1969 por ativistas dos EUA (principalmente do SDS) e o governo cubano para expressar solidariedade à Revolução Cubana através do trabalho voluntário agrícola.
Qual era o objetivo principal das viagens à Cuba?
O objetivo era apoiar a colheita de cana-de-açúcar (zafra) e contestar as políticas de embargo dos Estados Unidos contra a ilha.
Como a Brigada lidou com a questão LGBT?
Em 1970, a organização baniu oficialmente membros LGBT, justificando a homossexualidade como uma 'decadência burguesa', refletindo a homofobia institucional da época em Cuba.
Qual a diferença entre a Brigada Venceremos e a Brigada Antonio Maceo?
Enquanto a Venceremos era composta majoritariamente por americanos, a Brigada Antonio Maceo foi criada especificamente para cubano-americanos radicais que apoiavam a revolução.