Biografia

Baronesa Birdwood: Ativismo de Extrema-Direita e Antissemitismo

Pontos principais

  • Foi descrita como a maior distribuidora individual de material racista e antissemita na Grã-Bretanha.
  • Apoiou abertamente o regime do apartheid na África do Sul em 1961.
  • Manteve vínculos estreitos com a Organização de Nacionalistas Ucranianos (OUN), grupo de extrema-direita.
  • Foi membro do Monday Club, opondo-se à descolonização do Império Britânico.

Jane Birdwood, Baronesa Birdwood (18 de maio de 1913 – 29 de junho de 2000), nascida como Joan Pollock Graham, foi uma ativista política de extrema-direita britânico-canadense. Ficou notória por sua participação em diversos movimentos ultraconservadores e foi descrita como a maior distribuidora individual de material racista e antissemita na Grã-Bretanha.

Vida Inicial e Formação

Nascida em Winnipeg, Manitoba, Canadá, Birdwood era filha de um cantor de Hull e de uma mãe de Newcastle, embora algumas fontes, como o obituário do Searchlight, sugiram que fosse filha de um aristocrata escocês. Aos 10 anos, sua família retornou à Grã-Bretanha, estabelecendo-se em Yorkshire.

Durante sua trajetória profissional inicial, trabalhou na Biblioteca de Gramofones da BBC, onde mudou seu nome de Joan para Jane para evitar confusão com uma atriz de rádio da época. Durante a Segunda Guerra Mundial, atuou na Entertainments National Service Association (ENSA), inicialmente em Bruxelas e, posteriormente, em Hamburgo. Em 1947, ingressou na Cruz Vermelha, onde se tornou secretária do Tenente-Coronel Christopher Birdwood.

Casamento e Vínculos Políticos Iniciais

Jane e Christopher Birdwood iniciaram um relacionamento que resultou no divórcio deste e no subsequente casamento do casal em 1954. Christopher era filho do Marechal de Campo William Birdwood, 1º Barão Birdwood, e sucedeu ao título de nobreza em 1951.

Nos anos 1950, a Baronesa Birdwood tornou-se uma apoiadora proeminente da Associação de Ucranianos na Grã-Bretanha, um grupo dominado por simpatizantes da Organização de Nacionalistas Ucranianos (OUN), de extrema-direita. Através desta associação, desenvolveu proximidade com Yaroslav Stetsko, líder da OUN responsável por organizar pogroms em Lviv em 1941, que resultaram na morte de milhares de judeus e poloneses.

Seu alinhamento ideológico expandiu-se para outras causas conservadoras e reacionárias. Em 1961, visitou a África do Sul, onde elogiou o regime do apartheid, classificando-o como uma "necessidade social inevitável". Além disso, integrou o Monday Club, a ala mais à direita do Partido Conservador britânico, que se opunha firmemente à descolonização do Império Britânico.

Atividades Políticas e Ideologia

Após a viuvez em 1962, Birdwood intensificou seu engajamento político. Foi membro da Liga pela Liberdade Europeia, um grupo anticomunista que auxiliava refugiados da Europa Oriental. Suas atividades a conectaram ao Bloco de Nações Antibolcheviques (ABN), influenciando sua veemente oposição à imigração de pessoas não brancas no Reino Unido.

Birdwood argumentava que as "nações cativas" da Europa Oriental haviam perdido a independência devido a elementos "estranhos", e extrapolava essa lógica para a Grã-Bretanha, alegando que a imigração não branca erodiria a "essência anglo-saxã" do país, facilitando a ascensão do Partido Comunista Britânico.

Conflitos e Contradições

Em 1968, Birdwood tentou recrutar Ziauddin Sardar para escrever em seu periódico, New Times. O objetivo era utilizar a imagem de um escritor asiático para blindar a publicação contra acusações de racismo. Durante a interação, Sardar relatou que ela expressou forte aprovação ao discurso "Rivers of Blood" de Enoch Powell e afirmou que suas atividades anti-imigração eram direcionadas principalmente contra imigrantes negros, prevendo conflitos violentos nas ruas devido a diferenças culturais e de higiene.

Campanhas de Moralidade e Censura

Paralelamente ao seu ativismo político, Birdwood envolveu-se em campanhas de "decência pública". Foi presidente da filial de Londres da National Viewers' and Listeners' Association, onde se aliou a Mary Whitehouse para tentar censurar produções artísticas que considerava ofensivas ou blasfemas. Entre suas ações, tentou processar os produtores da revista teatral Oh! Calcutta! e o ator John Bird, autor da peça Council of Love.

Perguntas frequentes

Quem foi a Baronesa Birdwood?

Jane Birdwood foi uma ativista política de extrema-direita britânico-canadense, conhecida por distribuir material antissemita e racista e por sua oposição ferrenha à imigração não branca no Reino Unido.

Qual era a relação de Jane Birdwood com a OUN?

Ela foi uma apoiadora da Associação de Ucranianos na Grã-Bretanha e manteve amizade com Yaroslav Stetsko, líder da Organização de Nacionalistas Ucranianos (OUN), que promoveu a pureza racial e organizou pogroms contra judeus e poloneses.

Por que ela tentou recrutar Ziauddin Sardar?

Ela desejava que Sardar, um homem de origem asiática, escrevesse para sua revista New Times para que ela pudesse alegar que a publicação não era racista, apesar de suas crenças pessoais e atividades anti-imigração.

Qual a posição de Jane Birdwood sobre o apartheid?

Em 1961, durante uma visita à África do Sul, ela declarou que o apartheid era uma 'necessidade social inevitável'.