Aviação Militar

Aviões Reboque de Alvos

Pontos principais

  • Utilizam drones ou mangas de tecido para treinamento de tiro real.
  • Frequentemente convertem aeronaves obsoletas para evitar o descarte prematuro de frotas.
  • Utilizam turbinas eólicas externas (ram air turbines) para alimentar os guinchos de recolhimento de cabos.
  • O arrasto aerodinâmico do alvo pode causar a perda de sustentação (estol) em caso de falha do motor.

Um avião reboque de alvos (também conhecido como torre de alvos) é uma aeronave especializada cuja função principal é rebocar um drone não tripulado, uma manga de tecido (drogue) ou outros tipos de alvos aéreos. Essa operação é essencial para a prática de tiro com canhões, metralhadoras e o lançamento de mísseis por parte de forças aéreas e navais.

Essas aeronaves são frequentemente conversões de aviões de transporte, utilitários ou modelos de combate que se tornaram obsoletos para a linha de frente. No entanto, alguns modelos, como o Miles Martinet, foram projetados especificamente para desempenhar essa função. A operação de reboque de alvos é considerada historicamente perigosa, pois envolve o uso de munição real disparada por tripulações que, em muitos casos, estão em fase de treinamento.

Histórico e Evolução

Segunda Guerra Mundial

Antes e durante a Segunda Guerra Mundial, os reboques de alvos eram operados diretamente pelos braços aéreos militares. A prática comum era converter aeronaves que haviam falhado em missões de combate ou que possuíam designs obsoletos, como ocorreu com o Fairey Battle e o Short Sturgeon.

A configuração típica consistia em um cabo de vários quilômetros de comprimento, ao final do qual era presa uma manga de tecido. Para registrar e analisar os acertos, pilotos de caça e artilheiros estudantes utilizavam munições pintadas, que deixavam marcas visíveis no alvo ao serem atingidas.

Na Royal Air Force (RAF), modelos como o Miles Master II, Hawker Henley, Boulton Paul Defiant e Westland Lysander foram amplamente utilizados. Outras forças aéreas, como a USAAF (Estados Unidos), a Luftwaffe (Alemanha) e a VVS (Exército Vermelho da URSS), também empregaram aeronaves para essa finalidade, incluindo o TBD Devastator nos EUA.

Período Pós-Guerra e Privatização

Após o conflito, surgiu uma tendência de privatização, onde empresas civis adquiriam aeronaves militares excedentes, modificavam-nas e operavam-nas sob contrato para governos. Empresas como a Deutsche-Luftfahrt Beratungsdienst (Alemanha Ocidental) e a Svensk Flygtjänst AB (Suécia) tornaram-se referências no setor, operando modelos como o Hawker Sea Fury, Fairey Firefly e Douglas Skyraider.

A partir das décadas de 1960 e 1970, essa tendência expandiu-se globalmente. Na Austrália, a Fawcett Aviation utilizou Mustangs do CAC-RAAF até o final dos anos 70. Nos Estados Unidos, a Flight Systems Inc. operou Sabres convertidos em alvos de mísseis (QF-86E) e reboques, sendo posteriormente absorvida pela Tracor e, eventualmente, pela BAE Systems, que utilizou modelos Douglas Skyhawk.

A preservação de aeronaves antigas para a função de reboque de alvos contribuiu para a sobrevivência de muitos modelos que hoje são valorizados como "warbirds" em museus ou circuitos de shows aéreos.

Modificações Técnicas e Riscos

Para transformar um avião comum em um reboque de alvos, as principais modificações incluíam:

  • Estação do Operador: A instalação de um posto de trabalho para o operador do guincho, responsável por controlar o cabo.
  • Guincho de Cabo: Um sistema de recolhimento do cabo antes do pouso. Frequentemente, esse guincho era alimentado por uma pequena turbina eólica externa (ram air turbine), movida pelo fluxo de ar, similar aos sistemas usados em aviões de reabastecimento para retrair mangueiras.

O uso de alvos gerava um arrasto aerodinâmico considerável, o que representava um risco significativo para aeronaves com motores menos potentes. Em caso de falha do motor, o arrasto do alvo poderia reduzir a velocidade da aeronave abaixo da velocidade de estol antes que o operador conseguisse descartar o alvo, resultando em acidentes graves, como observado em alguns incidentes com o Hawker Henley.

Aeronave Hawker Henley configurada como torre de alvos
Exemplo de configuração de torre de alvos em um Hawker Henley.

Perguntas frequentes

O que é um avião reboque de alvos?

É uma aeronave que puxa um alvo não tripulado, como um drone ou uma manga de tecido, para que pilotos e artilheiros possam praticar tiros com munição real.

Quais aeronaves são geralmente usadas para essa função?

Geralmente são usadas conversões de aviões de transporte, utilitários ou modelos de combate antigos que não são mais adequados para o combate moderno.

Por que voar um reboque de alvos é perigoso?

Devido ao risco de ser atingido por fogo real disparado por alunos em treinamento e ao forte arrasto aerodinâmico que o alvo exerce sobre o avião.

Como o cabo do alvo é recolhido?

Através de um guincho, muitas vezes movido por uma pequena turbina de ar externa que aproveita o fluxo de ar durante o voo.