Anatole Broyard: Crítico Literário e Cronista da Cultura Americana
Pontos principais
- Foi um influente crítico literário e editor do The New York Times por quase 15 anos.
- Escreveu o ensaio seminal 'A Portrait of the Hipster' (1948), analisando a subcultura boêmia de Nova York.
- Teve ascendência crioula da Louisiana e serviu na Força Aérea dos EUA durante a Segunda Guerra Mundial.
- Foi professor de escrita criativa na New School, NYU e Columbia University.
Anatole Broyard (1920-1990) foi um influente escritor, crítico literário e editor norte-americano, cuja carreira se estendeu por várias décadas. Sua produção literária foi diversificada, abrangendo contos, ensaios e resenhas, com destaque para sua atuação como colaborador regular e editor do The New York Times, onde exerceu um papel fundamental como "curador cultural" durante quase quinze anos.
Vida Inicial e Formação
Nascido em 16 de julho de 1920, em Nova Orleans, Louisiana, Broyard era filho de Anatole e Edna Broyard, ambos de ascendência crioula da Louisiana. Durante a infância, sua família mudou-se para o Brooklyn, Nova York, onde seu pai trabalhava na construção civil. Aos 21 anos, Broyard alistou-se na Força Aérea do Exército dos Estados Unidos durante a Segunda Guerra Mundial, servindo como oficial de transporte de tropas no Teatro do Pacífico.
Ao retornar em 1946, Broyard mudou-se para o Greenwich Village, em Manhattan, região que na época era o epicentro de uma cena intelectual e artística boêmia. Nesse ambiente, ele começou a cultivar suas aspirações literárias, publicando contos e ensaios em diversas revistas literárias entre o final da década de 1940 e o início da de 1950.
Carreira Literária e Intelectual
Início e as "Little Magazines"
Utilizando o GI Bill, Broyard frequentou aulas no Brooklyn College e na The New School for Social Research, onde estudou seminários de psicanálise. Seus primeiros trabalhos foram publicados em revistas independentes, conhecidas como "little magazines", como a Modern Writing, Discovery e New World Writing, o que o estabeleceu como uma voz promissora na literatura da época.
"A Portrait of the Hipster"
Um de seus trabalhos mais seminais foi o ensaio "A Portrait of the Hipster", publicado na Partisan Review em 1948. Nesta obra, Broyard analisou a subcultura "hipster" emergente no Greenwich Village. Ele observou que o hipster se via como alguém oposto aos detentores do reconhecimento social, mas Broyard manteve uma visão crítica sobre esse movimento. Para ele, a tentativa de desafiar as normas sociais através do jazz, narcóticos e desfiliação da sociedade "convencional" resultou, paradoxalmente, em uma nova forma de conformismo e pretensão.
Atuação no Greenwich Village
Broyard estava profundamente imerso na vida social e cultural do Village nas décadas de 1940 e 1950. Frequentou salões literários e manteve conexões com diversos intelectuais. Ele chegou a administrar brevemente uma livraria de livros usados na Cornelia Street, que serviu como ponto de encontro para figuras literárias, consolidando sua rede de contatos no meio cultural.
Crítica e Edição no The New York Times
A trajetória profissional de Broyard mudou significativamente em 1971, quando começou a escrever resenhas de livros para o The New York Times. Ele tornou-se conhecido por suas críticas incisivas, espirituosas e opinativas. Durante quase quinze anos, suas avaliações tiveram um impacto considerável na recepção de obras literárias.
Suas resenhas foram reunidas na obra Aroused by Books (1974), e seus ensaios pessoais, publicados posteriormente no jornal, foram coletados em Men, Women and Other Anticlimaxes (1980). Em 1984, recebeu uma coluna dedicada no New York Times Book Review, tornando-se editor da publicação em 1986.
Doença e Legado
Em 1989, Broyard foi diagnosticado com câncer de próstata, o que o levou a se aposentar do Book Review. Mesmo durante a doença, continuou a contribuir com a publicação através de colunas não assinadas, como "Noted With Pleasure", e ensaios mensais intitulados "About Books".
Sua obra póstuma, incluindo memórias e reflexões sobre a doença, reflete a mesma acuidade crítica que aplicou à literatura e à cultura, mantendo seu olhar analítico até o fim de sua vida em 1990.

Perguntas frequentes
Quem foi Anatole Broyard?
Anatole Broyard foi um escritor, crítico literário e editor norte-americano, amplamente reconhecido por sua atuação no The New York Times e por sua análise da cultura hipster dos anos 40.
Qual a importância do ensaio 'A Portrait of the Hipster'?
O ensaio, publicado em 1948, é fundamental para entender a subcultura hipster do Greenwich Village, onde Broyard argumentou que a rebeldia do hipster era, na verdade, uma nova forma de conformismo.
Em quais publicações Broyard trabalhou?
Broyard foi um colaborador frequente de diversas 'little magazines' no início de sua carreira e, posteriormente, tornou-se crítico e editor no The New York Times e no New York Times Book Review.
Quais são as principais obras de Anatole Broyard?
Entre suas principais obras estão 'Aroused by Books' (1974), 'Men, Women and Other Anticlimaxes' (1980) e o ensaio 'A Portrait of the Hipster'.