Ajoelhar-se como Protesto contra o Racismo
Pontos principais
- O gesto foi iniciado por Colin Kaepernick em 1º de setembro de 2016, nos Estados Unidos.
- O objetivo principal é denunciar a brutalidade policial e a desigualdade racial.
- A prática expandiu-se da NFL para o futebol europeu e outros contextos globais, como os protestos do Black Lives Matter.
- Na Premier League, o gesto tornou-se esporádico a partir de 2022 para preservar seu impacto simbólico.
O ato de ajoelhar-se (do inglês, taking the knee) é um gesto simbólico utilizado globalmente para protestar contra o racismo, a desigualdade racial e a brutalidade policial. A prática consiste em o indivíduo ajoelhar-se sobre um joelho em vez de permanecer em posição de sentido durante a execução de um hino nacional ou em ocasiões solenes semelhantes.
Origem e o Movimento de Colin Kaepernick
O gesto ganhou notoriedade mundial em 1º de setembro de 2016, quando o jogador de futebol americano Colin Kaepernick, então atleta do San Francisco 49ers, optou por ajoelhar-se durante o hino nacional dos Estados Unidos. O objetivo era atrair a atenção pública para a falta de prioridade dada às questões de desigualdade racial e à violência policial contra cidadãos negros no país.
Kaepernick foi acompanhado por seu companheiro de equipe, Eric Reid. Segundo Reid, a decisão de ajoelhar-se, em vez de sentar-se, foi tomada após reflexão e consulta com Nate Boyer, um ex-membro dos Boinas Verdes (Green Berets) e ex-jogador da NFL, para garantir que o protesto fosse pacífico e respeitoso, comparando a postura a uma bandeira hasteada a meio mastro em sinal de tragédia.
Expansão e Reações nos Estados Unidos
Durante a temporada de 2016, outros jogadores da NFL aderiram ao gesto. No entanto, a prática tornou-se um ponto de intensa polarização política após o então presidente Donald Trump criticar publicamente o ato em setembro de 2017. Trump descreveu o gesto como desrespeitoso em relação ao hino e à bandeira dos EUA, sugerindo que proprietários de equipes deveriam demitir jogadores que o realizassem.
Em resposta a essas críticas, a adesão ao protesto aumentou significativamente, com centenas de atletas da NFL, além de esportistas de outras modalidades e espectadores, ajoelhando-se nas semanas seguintes.
Adoção no Futebol Europeu e Global
O gesto foi exportado para diversas modalidades e países, com destaque para o futebol (association football) no Reino Unido. Durante a temporada 2020-21 da Premier League, muitos clubes adotaram o ato de ajoelhar-se antes do início das partidas como demonstração de solidariedade ao movimento Black Lives Matter.
Controvérsias no Reino Unido e Europa
A implementação do gesto no futebol inglês gerou reações mistas. Enquanto líderes políticos como Keir Starmer apoiaram a iniciativa, outros, como o então Secretário de Relações Exteriores Dominic Raab, interpretaram o gesto como um símbolo de "subjugação e subordinação".
A seleção da Inglaterra também ajoelhou-se durante a UEFA Euro 2020 (disputada em 2021), enfrentando vaias de torcedores em diversos jogos. Episódios semelhantes ocorreram em amistosos internacionais, como em um jogo entre Hungria e República da Irlanda em junho de 2021, onde os jogadores irlandeses foram vaiados ao ajoelharem-se.
Evolução da Prática na Premier League
A partir da temporada 2022-23, os capitães dos clubes da Premier League concordaram em não ajoelhar-se rotineiramente antes de todos os jogos. A decisão baseou-se na percepção de que o gesto estava perdendo seu impacto simbólico. A prática foi restringida a "momentos significativos" da temporada, como as partidas de abertura e encerramento, e jogos dedicados à campanha No Room For Racism (Sem Espaço para o Racismo) em outubro e abril.

Perguntas frequentes
Quem iniciou o protesto de ajoelhar-se durante o hino?
O protesto foi iniciado por Colin Kaepernick, jogador do San Francisco 49ers, em 1º de setembro de 2016.
Por que os atletas escolheram ajoelhar-se em vez de sentar-se?
Segundo Eric Reid, a escolha foi feita para que o gesto fosse visto como um ato respeitoso e pacífico, comparando-o a uma bandeira a meio mastro.
Como a Premier League lidou com a prática a partir de 2022?
Os capitães dos clubes decidiram restringir o gesto a partidas significativas e datas específicas da campanha 'No Room For Racism', acreditando que a repetição rotineira diminuía o impacto do protesto.