Arte e História

Afresco dos Seis Reis de Qasr Amra

Pontos principais

  • Localizado em Qasr Amra, Jordânia, um Patrimônio Mundial da UNESCO.
  • Retrata quatro governantes identificados (Bizantino, Visigodo, Sassânida e de Aksum) e dois não identificados.
  • A obra foi severamente danificada em 1898 por Alois Musil e Alphons Leopold Mielich durante uma tentativa de remoção.
  • Simboliza a submissão de potências estrangeiras ao poder do Califado Omíada, especificamente ao califa Al-Walid II.

O Afresco dos Seis Reis é uma pintura mural localizada em Qasr Amra, um castelo do deserto pertencente ao Califado Omíada, situado na atual Jordânia. A obra retrata seis governantes organizados em duas fileiras de três, simbolizando a autoridade e a hegemonia do califado sobre as principais potências da época.

Localização e Contexto Histórico

O afresco encontra-se em Qasr Amra (também grafado como Quseir Amra), uma estrutura do deserto classificada como Patrimônio Mundial pela UNESCO. O complexo está localizado a aproximadamente 85 quilômetros a leste de Amã e 21 quilômetros a sudoeste do Oásis de Azraq. Devido ao seu isolamento e dimensões, acredita-se que o local servia como um refúgio de lazer para os governantes omíadas.

Vista interna de Qasr Amra mostrando a estrutura do castelo do deserto
Interior de Qasr Amra, onde se localizam os afrescos omíadas.

A pintura está situada na extremidade sul da parte oeste da parede principal. Durante a década de 1970, a obra passou por um processo de limpeza e preservação conduzido por uma equipe do Museu Arqueológico Nacional da Espanha.

Datação e Patronato

A historiadora Elizabeth Drayson estima que a data mais antiga para a pintura seja 710 d.C., ano da ascensão de Rodrigo, um dos reis retratados. O limite superior seria 750 d.C., ano da Revolução Abássida que derrubou a dinastia Omíada. O patrono da obra teria sido um dos califas, possivelmente al-Walid I (705–715), al-Walid II (743–744) ou Yazid III (744), ou algum membro da família real que atuasse como governador ou herdeiro.

Descoberta e Danos

O complexo era conhecido por nômades locais, mas foi visitado por ocidentais apenas em 1898, através do estudioso tcheco Alois Musil. Em 8 de junho daquele ano, Musil e o artista austríaco Alphons Leopold Mielich tentaram remover a pintura do local, causando danos permanentes e irreversíveis à obra. Atualmente, um fragmento contendo rótulos e partes das coroas de duas figuras encontra-se no Museu de Arte Islâmica, em Berlim.

Descrição da Obra

Apesar dos danos significativos, a composição apresenta seis governantes voltados para o espectador. Cada figura estende as mãos com as palmas voltadas para cima, em um gesto de submissão ou homenagem. Inscrições em grego e árabe, escritas em letras brancas sobre fundo azul, identificam quatro dos governantes:

  • Qayṣar (César): O imperador bizantino, trajando vestes imperiais e tiara.
  • Ludhrīq (Rodrigo): O rei visigodo da Hispânia.
  • Kisrā (Cosro): O imperador sassânida, representado como um jovem de cabelos cacheados, usando coroa e manto.
  • Al-Najāshī (Negus): O rei de Aksum, vestindo uma túnica clara com estola vermelha e o pano de cabeça imperial.
Detalhe do afresco dos Seis Reis em Qasr Amra
Detalhe do Afresco dos Seis Reis, evidenciando a degradação da pintura e as figuras remanescentes.

As identidades dos outros dois governantes não são visíveis, embora historiadores especulem que possam representar líderes da China, da Turquia ou da Índia.

Relação com a Imagem do Califa

Na mesma parede, há a representação de uma mulher com a palavra grega Nikē (Vitória) acima dela. O ponto focal para o qual os seis reis gesticulam é a pintura do califa Al-Walid II sentado em seu trono. A cena sugere que os reis reconhecem a autoridade do califa. A imagem de Al-Walid II é acompanhada por pavões e inscrições gregas referindo-se a Charis (Graça) e Nike (Vitória), reforçando a natureza triunfal da composição.

Perguntas frequentes

Onde se localiza o Afresco dos Seis Reis?

O afresco está localizado em Qasr Amra, um castelo do deserto do período Omíada, na Jordânia.

Quem são os reis retratados na pintura?

Quatro são identificados por inscrições: o imperador bizantino (César), o rei visigodo Rodrigo, o imperador sassânida (Cosro) e o rei de Aksum (Negus). Os outros dois permanecem anônimos.

Por que a pintura está danificada?

A obra sofreu danos permanentes em 1898, quando o estudioso Alois Musil e o artista Alphons Leopold Mielich tentaram removê-la da parede do castelo.

Qual o significado político da obra?

A pintura representa a hegemonia do Califado Omíada, mostrando governantes de diversas partes do mundo conhecendo a autoridade e prestando homenagem ao califa Al-Walid II.